Paulo Serra, Professor Contratado O concurso extraordinário de vinculação de professores de que se fala nos meios sociais tem gerado controvérsia entre os visados pelo caráter mais ordinário do que extraordinário do mesmo. Pelo que se comenta, nada oficial, por enquanto, tudo anda ainda na dimensão do "boato", a ordenação dos docentes será feita pelos anos de permanência na Região e não, como seria normal, ordinário e isento de polémica, pela graduação dos mesmos. Num breve exercício académico podemos concluir que um professor com graduação de 20 (com 10 anos de serviço na Região) passa à frente de um colega com graduação de 23 ou 24 (com 6 ou 7 anos de serviço). A diferença é que o primeiro terminou o curso com média final de 10 ou 11 valores, com esforço e dedicação, obviamente, e o segundo terminou com 17, 18 ou até 19 valores. Certamente que este é mais um critério que acresce e favorece o bom ambiente entre a classe. Critério este, segundo consta, aprovado pelos parceiros ouvidos e envolvidos. Os mesmos que defendem a escola pública, o mérito, a excelência, o bom ambiente nas escolas… A quem serve este concurso? A resposta é simples, aos que estão perto, directa ou indirectamente ligados aos órgãos de poder, muitos dos quais fora das escolas, inclusive. Aos mesmos que, segundo foi noticiado, andam pelos clubes e associações a receber ordenados de duas entidades patronais. É este mérito que é privilegiado. Permitam-me um conselho. Não abram o concurso. Contactem os visados por telefone. É mais prático, mais pessoal e não correm o risco de ver seleccionado um qualquer indesejado. Sou professor contratado, terminei o meu curso com média de 17 valores numa universidade pública, estou há cinco anos a leccionar em escolas da região. Não é suficiente, falta o mérito.