De repente parece que o País está suspenso à espera da decisão do Tribunal Constitucional. O Governo incluiu normas inconstitucionais no OE e agora finge que caso o Tribunal Constitucional cumpra a sua responsabilidade fundamental - zelar pelo cumprimento da Constituição - será irresponsável porque não a manda às urtigas em nome das exigências da 'troika', interessada apenas em empobrecer os Portugueses retirando-lhes todos os direitos legais e constitucionais. Há quem tente fugir a este assunto falando de uma alegada remodelação governamental. Se formos a fazer contas, se uma remodelação do Governo resolveria os problemas do País, chegaríamos à conclusão que o melhor é demiti-lo porque não há nada nem ninguém que escape. Todos estão dependurados na mesma política de austeridade que está a levar o nosso país para os mais pobres da Europa. Basta ver os números que vão surgindo em relação a algumas estatísticas para confirmar alguns dados preocupantes, desde o aumento dos desempregados sem rendimentos, das crianças com fome, do aumento dos sem-abrigo, do aumento da mortalidade infantil, dos doentes sem medicamentos nem sem assistência, dos idosos a morrer sozinhos ou a viver em lares impróprios, das pessoas que se suicidam por perderem a esperança de sobreviver nesta selva em que se tornou o sistema capitalista onde cada vez o fosso entre ricos e pobres é maior. Eles fartam-se de dizer que o problema de Portugal foi viver acima das suas possibilidades esquecendo-se que o fascismo, em que vivemos 48 anos, deixou Portugal pobre, triste e atrasado e que foi preciso o 25 de Abril para trazer esperança e colocar ao alcance das pessoas bens que lhes tinham sido negados. Uma dessas mais-valias foi a dos pais investirem na educação/formação dos seus filhos e por isso temos uma das gerações mais bem formadas de sempre. E agora o que acontece a esse investimento? O País recusa dar oportunidade a essa geração deixando-os no desemprego e, temos mesmo um primeiro-ministro que os manda emigrar. Agora vem a Alemanha, a maior defensora da austeridade em curso nos países do sul da Europa, dizer que tem trabalho disponível para esses quadros, formados com o nosso dinheiro e com o investimento do Estado que eles dizem que foi gastador. Quer dizer, nós investimos todos na formação dos nossos jovens para agora, de mão beijada, disponibilizá-los de graça a um dos países que mais nos tem atacado pelos gastos que fizemos na Educação! Eles dizem que fomos gastadores e que não soubemos poupar, mas agora ameaçam taxar as poupanças bancárias como está a acontecer em Chipre. Dizem eles que são os depósitos acima dos 100 mil euros, pois consideram que quem possui esse montante poderá ser de dinheiros ilícitos. Esta situação é muito grave. É um roubo. É uma expropriação indevida de património privado. Quantas pessoas amealharam ao longo da vida algum dinheiro pensando numa situação mais difícil que tivesse que enfrentar? Quantos emigrantes trabalharam duramente para amealharem dinheiro para poderem voltar à sua terra e viver desafogadamente? Quantas famílias juntam todos os seus esforços para poupar e comprar um bem que necessitem na altura que for mais necessário? Isto é dinheiro ilícito? Se existem ilicitudes e ilegalidades nos 'offshores' investiguem mas não venham meter todos os depositantes no mesmo saco. A ameaça de esta situação chegar ao nosso País e a outros é real. Temos que estar alerta porque o roubo organizado ainda não acabou, pois os ladrões ainda estão no poder, em todo o lado. E toda esta situação pode ser transposta para o Governo da Madeira que perdeu os direitos da Autonomia e agora está de cócoras, piando baixinho, perante os algozes do governo central. De nada servem os pequenos disparos de pólvora seca que AJJ, de vez em quando, finge dar. São apenas para dizer que ainda sobrevive mesmo que muito débil. A situação é preocupante em todos os sentidos e para respirarmos de alivio precisamos que a censura seja dura e duradoura, até que esta gente seja afastada do poder e possamos livremente tomar outras decisões mais acertadas exigindo novas políticas e outro caminho para cumprirmos os nossos compromissos com a dívida, renegociando-a, ganhando mais tempo para a pagar com juros mais baixos, para que mais dinheiro possa ser investido na criação de mais postos de trabalho e para que os salários e as pensões voltem a ganhar poder de compra.
Guida Vieira