Edward Smith, oficial na marinha inglesa, com uma longa carreira de 35 anos, serviu nos mais afamados cruzeiros de Sua Majestade até ao afundamento do seu navio, em Abril de 1912. Smith exerceu uma liderança indiscutível. Nenhum dos imediatos ousava questionar as decisões do capitão. Mesmo a decisão, de uma ousadia desmesurada, de manter uma elevada velocidade à noite e num oceano pejados de iceberg´s. Smith foi insensato ao aceitar comandar um navio com salva-vidas para apenas metade dos passageiros. Foi pouco previdente quando tomou a decisão fatídica de desvalorizar as mensagens dos navios que o precediam, alertando para os bancos de gelo. Foi arrogante, quando considerou que a maior obra naval do Império Britânico, o seu navio, era imune aos caprichos da natureza. Não se entende as decisões de pedir aos músicos para tocar enquanto o barco se afundava, de priorizar os passageiros de 1ª e 2ª classe na evacuação, condenando os mais pobres à morte certa e, sinal de infalibilidade, de adiar o pedido de socorro às embarcações próximas. O resultado do comando do RMS Titanic é por todos conhecido. Permitam-me uma analogia com a actual governação da Madeira. Não estarão os "imediatos" quietos e calados, fazendo aquilo com que não concordam, incapazes de afrontar o capitão? Não ousámos afrontar os caprichos da natureza nas ribeiras e no litoral? Não preparámos o futuro pensando que a bonança ir durar para sempre? Não ignorámos os avisos que a nossa dívida era insustentável, tendo pedido ajuda tarde de mais? Não mandam tocar música enquanto a economia regional definha e produz desemprego? Não abandonámos os mais pobres, condenando uma geração à imigração e à resignação? O Capitão Smith, muito à tradição britânica, assumiu os erros e afundou-se com o barco. Será que os nossos governantes farão o mesmo ou, talvez, arranjem um fim que não cumpra todos os preceitos constitucionais, como já afirmaram?
Mário Pereira, Deputado do CDS na ALM