A queda abruta da "pujança" do desporto madeirense, trouxe á nossa sociedade interrogações legítimas, mas acima de tudo, algumas graves disfunções na operacionalidade e normal funcionamento do edifício desportivo regional por força do fator económico e acrescida da hipotética mudança de paradigma. Há quase um ano ficamos todos com a sensação que a terminologia e adoção dos "potes" poderia traduzir uma opção da politica desportiva, e não de mera distribuição dos dinheiros públicos. Foi só por pouco tempo, mas assistimos em seguida a uma tentativa de reformulação, e um novo impulso na resolução dos problemas. Para uns as boas vontades demonstradas começam a serem escassas para o amontoado e acumular de situações que tardam a serem resolvidas, para outros é o que se pode fazer e não tem sido pouco. Neste período que mediou esse tempo de rotura e o tempo presente, esperei, e provavelmente todos nós, sempre muito mais da instituição que tem obrigação de cultivar e praticar a ciência do desporto e nesse âmbito, que tutela o saber e a investigação nessa área. O fato de ter participado ativamente criação do curso de Educação Física na nossa universidade, não me dá direitos acrescidos, mas a minha cidadania provoca-me para tecer considerações de uma instituição que podia e devia ter dado, fomentado e promovido contributos para o novo perfil e desenho na construção do próximo edifício desportivo. Esta atitude passiva neste domínio, é comum na grande parte das instituições do conhecimento que atravessam transversalmente a nossa sociedade, mas de todo incompreensível e lamentável. Não sei se verdadeiramente esperava melhor ou mais, mas tenho a certeza que o papel obrigatório de uma "sede" do conhecimento está muito aquém do exigível, pois, desde há muito que é consensual a abertura obrigatória das universidades à sociedade civil. A reflexão necessária sobre os fatores que comporta o Desporto e a Educação Física e os novos paradigmas adequados à nova realidade contextual, deveriam ser motivo de debate, através de seminários, conferências, palestras, e todas as iniciativas que motivassem mais discussão e consciencialização. Num tempo de crise o papel das universidades deveria ser de fornecer contributos à sociedade civil, instrumentos e ferramentas para esclarecer e colaborar na construção da opinião pública e de propostas concretas para o modelo estratégico a adotar. Afinal a universidade é afetada pela política desportiva, desde o desporto escolar à criação de hábitos de prática de atividade física e nomeadamente o desporto de lazer. Uma vez mais a instituição de Educação Física e Desporto ficou muito aquém, mesmo quase em branco na participação ativa da consciencialização, reflexão e mesmo nos contributos para a resolução da encruzilhada que a atividade física e desportiva estão vocacionadas, restando o movimento associativo agir para colmatar esta lacuna. Perdida está a oportunidade! A "sede privilegiada" da ciência e do saber, está fechada em si mesmo, e como tal demitiu-se das funções, abrindo o processo de "insolvência" ou mesmo de "encerramento", nem que seja inteletual.
Rui Mâncio Caires, Treinador