O amor em tempo de crise tem uma aura de poesia, cheiro a flores e romantismo que inebriam qualquer um. Como a Madeira é um destino paradisíaco e inspirador torna-se fácil imaginar o que grassa nos corações de quem aqui vive ou visita. E foi visando estar próximo deste altruísmo que o Nacional e o União se encontraram no Estádio da Madeira num almoço, por ocasião do último Nacional-Marítimo. Os arrufos antigos e o recurso aos tribunais passaram à história e o enlevo foi tão singelo que até os menos sensíveis sentiram um tremor na alma. Isto só foi possível devido a um rapaz chamado Rúben Micael e a uma decisão judicial sobre as percentagens devidas ao União sobre a sua transferência. Se alguém ficou com ciúmes por ter sido preterido nesse repasto que tenha paciência, porque as harpas não tocam para todos, e nisto do amor, normalmente se para dois é bom, para três é demais… O governo português também anda enlevado com a Troika que, de 3 em 3 meses reforça esse namoro com uma visitinha para marcar o ponto e nos "lixar" mais um pouco. A população assiste quase asfixiada e falida ao garrote imposto em nome de dívidas de todos, mas que a maior parte não compreende. Nem com o Presidente da República se pode contar, pois escuda-se na desculpa de que está a cumprir a Constituição e não o demite, apenas emitindo alguns sons de vez em quando para mostrar que respira, e cantar "Grândola, Vila Morena" também não mitiga a fome nem fornece os bens que, entre dezenas de situações, os Hospitais necessitam para funcionar. Se os ideólogos do 25 de Abril de 1974 tivessem imaginado que era para isto que iam arriscar as suas vidas, talvez tivessem regressado às camaratas para jogar às cartas e polir as botas. Isto não está mesmo nada fácil. Até breve.
João M.M. Castro, Psicólogo Clínico