Confesso, não ouvi na íntegra o discurso do Sr. Presidente da República no passado 25 de abril. Formulo esta opinião em excertos do mesmo que ganharam maior mediatismo e nalguns comentários públicos. Todavia, atrevo-me a citar outras frases, menos mediáticas: "É indiscutível que a execução do Programa tem revelado consequências gravosas, que se fazem sentir duramente no dia-a-dia dos Portugueses"; "não podemos esquecer que uma parte do ajustamento das contas externas se está a realizar por via da redução das importações"; "Não se pode ignorar (…) que a rápida desalavancagem dos bancos produziu dificuldades acrescidas no financiamento de muitas empresas"; "O combate ao desemprego deve ser uma prioridade da ação governativa"; "O efeito recessivo das medidas de austeridade inicialmente estabelecidas revelou-se superior ao previsto, (…) por falhas nas estimativas". Sim, caro leitor, as citações acima são retiradas ipsis verbis do discurso do Sr. Presidente! E só a falta de espaço para esta crónica não me permite citar outras mais. Então pergunta-se, e bem, por que motivo António José Seguro e Carlos Zorrinho reagiram como reagiram? Porque são herdeiros do plano de assistência financeira que a Troika nos "serviu" e co-covoeiros da política socialista de Sócrates que nos endividou até à 5ª geração. Mas, acima de tudo, por insegurança interna, porque têm um congresso à porta e urge iludir a opinião pública e publicada com faits divers, que escondam as ideias e soluções que o Partido Socialista não tem para Portugal! Entretanto, descarreguei este discurso do Sr. Presidente da República. Ao contrário do habitual, vou lê-lo na íntegra, sugerindo que não nos rendamos à leitura do Expresso de hoje, 27 de abril.

Nuno Maciel, Professor