A liberdade é uma pomba branca que voa sem fim… Estou a brincar! Bem, pode ser que noutros lugares do planeta as pombas brancas sejam livres, mas aqui a liberdade só serve alguns, e não são as pombas brancas as felizes contempladas. Eu diria que, na ilha da Madeira, a liberdade é mais… um Lobo-Marinho! Perdoem-me os animais em vias de extinção, mas a metáfora vem mesmo a jeito. É que, nesta Deserta Grande da Liberdade, livres mesmo são os privados que têm dinheiro para alimentar a Fundação Social Democrata e que, por e para isso mesmo, são lobos-marinhos sorvedores do dinheiro público. Por conseguinte, realmente livres são aqueles que detêm o monopólio do transporte marítimo de mercadorias e posterior distribuição, com a bênção do Governo Regional. Livres mesmo são aqueles que estão acima da lei e podem construir um centro comercial que viola o PDM, para depois serem contemplados com um Plano de Urbanização da Ribeira de São João, feito à medida de um privado, que salva a obra de um embargo levado a cabo pela Câmara… (Invejável, não é?) Ah… mas livres, livres, livres, são aqueles que podem mandar desviar o trânsito para fazer a obra particular! Ora, em climas temperados como o nosso, temas quentes como este tendem a ser tratados com algum cuidado para não ferirem susceptibilidades. Azar dos azares, este espaço é reservado à minha opinião, e não me apetece ser amena, até porque já levo com essa treta da revolução há 30 anos e ainda estou à espera dela… A título informativo, deixem-me que vos conte que o ex-Presidente da República Mário Soares disse, um dia, que não houve revolução em 1975, explicando que tudo foi tão pacífico porque o regime, simplesmente, caiu de podre! Pois eu acho que os madeirenses estão à espera do mesmo. Estão à espera que o regime jardinista caia de podre, para depois virem para a rua abanar flores. É lá convosco… Contudo, até lá, por mais pombas que voem na Praça do Município, a liberdade é… …um Lobo Marinho! N. R. Por lapso, o texto de Rubina Sequeira não foi publicado ontem, na edição em papel, conforme previsto. As nossas desculpas à autora e aos leitores.

Rubina Sequeira, Advogada