Estamos a entrar novamente num ciclo eleitoral. Desta vez, eleições autárquicas. Serão escolhidos os representantes do povo, aqueles que, mais próximos deverão estar das pessoas, conhecendo as suas dificuldades, anseios, problemas e para as quais, deverão apresentar soluções. Escolhi livremente que, depois de oito anos na maior autarquia da Madeira, representando cerca de 112.000 pessoas, deveria sair. Sempre defendi e faço-o com convicção, de que, em tudo na vida, há um tempo certo para "entrar", "estar" e "sair". Não quero ser um dia desempregado político, como muito habilmente tentaram acusar, mas não quero ser também empregado político de ninguém! A política deveria ser encarada como uma missão de vida, com um tempo útil de acção. Defendo dois/três mandatos. O ideal seriam dois mandatos de 5 anos, após os quais, teriam de sair e estar o mesmo período fora da política. Assegurava-se a rotatividade de pessoas, ideias e projectos, a independência e acima de tudo, para a qual somos eleitos, a boa defesa dos interesses da população. Hoje, mais do que nunca, as pessoas sentem-se afastadas das lides políticas pois não sentem que esta seja utilizada para a defesa dos seus interesses. Em todo o lado se assistem a manobras de "diversão" política, onde o interesse do povo é sistematicamente ultrapassado. Andamos há anos a apresentar medidas e medidas de austeridade para as quais já não temos soluções nem capacidades de resposta. Temos hoje um país mais pobre, menos desenvolvido, mais dependente do exterior e ainda se pedem mais medidas de austeridade. Para quando uma governação em função dos problemas reais da população, com definição de objectivos estratégicos sectórias a 10/15 anos (saúde, defesa, turismo, economia,…), independentemente dos partidos políticos em governação? Porque não existe coragem de por os interesses do povo acima dos interesses dos partidos políticos? Enquanto for este o rumo e princípios orientadores, vamos assistindo a um afastamento lógico e previsível das pessoas, onde se instalará um vazio social de consequências imprivisiveis.

Pedro Calado, Vice-presidente da CMF