"Todas as artes, [...] cada uma por si e todas em conjunto, devem criar a arte mais universal de todas, a sociedade humanizada, e a sua obra-prima, o Homem livre." Assim escreveu Bernard Berenson, um crítico de arte americano. E, efectivamente, são muitos aqueles que investem pelo menos uma parte da sua vida, individualmente ou através de movimentos associativos, nas artes e no apoio às artes e aos artistas, sobretudo àqueles jovens que precisam do apoio - espiritual, humano e, sim, financeiro, para dar asas às suas ideias e à sua individualidade e para tentar provar (futilmente?) que a força de imaginação de um indivíduo equivale àquela pena proverbial que é supostamente mais poderosa que aquela espada proverbial. Mas substitua-se a pena por "qualquer arte" e a espada por "atitude reducionista" e veja-se logo, se não temos hoje em dia, um pouco por todo o mundo, uma situação onde a espada corta as asas e essa força de imaginação está submissa, numa camisa-de-forças imposta por aqueles que pouco vêem para além de números e estatísticas e cuja razão de ser não contempla a necessidade de um ser humano ter Asas para, ele próprio, ajudar a humanizar a sociedade através do seu dom. Ajudar a estas pessoas talentosas, para que elas possam posteriormente, através das artes, retribuir o favor, ajudando-nos a nós próprios a não perdermos os laços com as raízes da nossa humanidade, é um dever inalienável que devia fazer sentido para qualquer ser humano com consciência. Creio eu. Mas que argumento é isso para aqueles que lá querem saber sobre as verdades intangíveis e abstractas, para os Tomés incrédulos que aplicam a esses assuntos uma lógica simplista, burocrática e alienada e para os quais os milagres que diariamente se fazem em prol da cultura não passam de uma grelha bem ou mal preenchida?

Robert Andres, Musicólogo