José Ângelo Gonçalves de Paulos O mês de Abril é pródigo em datas históricas e festivas. No meu caso caso particular festejo, com alegria, o dia 19, data da fundação do Partido Socialista e que neste ano comemora 40 anos de vivência democrática. Fui e sou militante do PS, partido ao qual devo o melhor da minha vida que tenho até os dias de hoje . Encontrei pessoas de diversas classes sociais, dado que este partido é inter-classista. Um dia apresentei-me ao Dr. Francisco Salgado Zenha como "socialista bíblico". O que este distinto dirigente nacional retorquiu-me "quer dizer que estamos nas fontes". E falámos muito sobre o Cristianismo como religião dos oprimidos. Aliás, a filósofa judia Simone Weill também afirmava este sentimento. E, eu, ainda li, mais tarde,o que o Pastor Geoges Castorialis dizia que era "cristão e socialista, porque não havia incompatibilidades". Mas voltando aos 40 anos de vida do PS estranho que os dirigentes do PS-Madeira não festejassem esta data. Mais ainda, porque na fundação em Bad Munstereifel, Alemanha, na sua acta, está lá a assinatura do madeirense, GIL Francisco Ferreira MARTINS, madeirense e arquitecto. Na altura estava exilado com a sua esposa, também arquitecta, Maria Antónia Clode Ferras Martins, na Itália. Segundo o livro de Memórias de Mário Soares da autoria de Maria João Avilez., Soares diz que foi o Gil Martins que o apresentou em Roma ao cardeal-patriarca de Lisboa, António Ribeiro. O PS-Madeira deveria ter orgulho de ter um madeirense como co-fundador do Partido Socialista. Pena é que tivesse abruptamente falecido em 1980 com 48 anos de idade, na sua casa em S. Gonçalo-Funchal e está sepultado no cemitério de S.Martinho. Foi deputado na 1º. Legislatura Regional da Madeira de 1976-1980. E ainda chegou a ser eleito na 2ª. Legislatura. Queria, todavia, salientar a importância que o PS teve na implantação da Democracia em Portugal. Sobretudo, ao nível da Democracia Politica, Democracia Económica, Democracia Social e Democracia Cultural. Sempre tendo como seu único horizonte a LIBERDADE. O PS perdeu muito do seu prestígio politico porquanto foi o que deu a cara no que diz respeito à Descolonização. Todos responsabilizaram Mário Soares e Almeida Santos por essa travessia muito tumultuosa. E sabemos que foi. Mas outro Partido beneficiou muito mais que o PS. Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde não ficaram nas mãos de governos ligados à Internacional Socialista, mas, sim, à antiga URSS. Muito embora, os países nórdicos da Europa achavam que as colónias portuguesas deveriam ser independentes e até os EUA também tinham a mesma opinião. Noto um ódio a Mário Soares por ser defensor da independência das ex-colónias e por ser, acima de tudo, um amante da Liberdade. Não esqueçamos o seu contributo e o do PS ao totalitarismo que por aí estava a instalar-se de novo no "25 de Novembro". Ao PS deve o CDS o seu direito de livremente, após o "25 de Abril", estar em congresso no Porto. E ao PS também deve o PCP o direito de plenamente estar dentro do espírito democrático, livre e pluralista, logo a seguir ao "25 de Novembro". E, até, a própria Igreja Católica tem essa dívida para com o PS e "Soares e Zenha não há quem o detenha". Haja um reconhecimento histórico para com o PARTIDO SOCIALISTA, liderado por Mário Soares e Francisco Salgado Zenha e muitos outros. Que também foram anti-fascistas e estiveram presos e exilados. Viva o PS! Viva o "25 de Abril". Acima de tudo, Viva a DEMOCRACIA PLURALISTA!