"Eu também já olho para o céu há muitos anos, mas continuo sem perceber nada de astronomia ou de meteorologia" - era deste modo que António Simões costumava se referir aqueles que, mesmo já vendo Futebol há muito, continuavam sem perceber a verdadeira essência do jogo. Pela simplicidade profunda da analogia, costumo relembrar esta frase habitual do arguto "magriço" com quem tive a oportunidade de conviver na sua passagem pelo Marítimo, como adjunto de Nelo Vingada, já lá vão quase 15 anos. Mas também porque dela me recordo, quase invariavelmente, quanto oiço muitos dos "especialistas" que comentam as partidas de Futebol que, devido à paragem profissional, agora assisto com grande frequência na televisão. Sou da opinião que sobre o Futebol, tal como sobre o "estado do tempo", todos podemos e devemos falar. Mal seria se não o pudéssemos. Nem teríamos o tema mais utilizado para "meter" conversa no elevador, nem um daqueles que mais ocupa as "conversas de café"... Nem vejo com "maus olhos" que todos comentem na comunicação social, até sob a parcialidade emotiva da paixão clubística, as incidências resultantes do "fim-de-semana" futebolístico. Afinal é precisamente esse carácter universal que faz com que o Futebol seja o fenómeno social e cultural que é. Por isso, prefiro ouvir o "comentador" comum do que o suposto "especialista" que apenas diz o óbvio. Que o "céu está negro", por isso "parece que vai chover"... principalmente quando "já começou a chover"! Precisamos, isso sim, de "especialistas" para nos transmitir algo mais sobre o conteúdo do jogo em profundidade. Tal como os "meteorologistas" devem procurar traduzir para o público em geral, por exemplo, o papel das "altas" ou "baixas pressões" no "estado do tempo" que todos vamos acabar por "sentir"...

Nelson Caldeira, Treinador