Severino Olim Herói do trabalho como descreve Ornelas Teixeira, autor da letra do hino da Região Autónoma de Madeira, passa neste preciso momento, por pressões oriundas de leis injustas e economicamente gravosas para a maioria dos agricultores madeirenses que procuram na terra o único complemento de sobrevivência na esperança de contrariar o alastramento dos índices de pobreza que se alastram no seio de muitas famílias. Assiste-se a um número cada vez maior de madeirenses a regressarem à terra, fruto de políticas de viveiros de experiencias que dramaticamente encerraram empresas, travaram investimentos, favorecem a banca e ruinam em espiral todas os setores da atividade económica, incluindo o da agricultura. A lei que atualmente tem gerado tanta revolta, aprovada pela maioria dos deputados da Nação, que obriga os agricultores sem exceção a se coletar nas finanças é uma verdadeira traição aos valores de Abril com a agravante de ser consentida por alguns governantes regionais, despachando os agricultores a se "cadastrarem" nas finanças para continuarem a exercer legalmente a sua atividade e usufruírem de determinados subsídios. Este foi o aconselhamento mais traiçoeiro e o menos tolerável na defesa de um setor muito especifico dentro das atividades económicas regional. Ao invés disto e, em primeira mão, dever-se-ia partir para a recolha de toda a informação, sobretudo, a consequente de todo este processo de modo a esclarecer-se e aconselhar com toda a clareza todos aqueles, os verdadeiros madeirenses, que fazem desta montanha um offshore de sustentabilidade e de riqueza, traduzido pelo emprego de mecanismos tradicionais que arduamente transformam rochedos seculares em verdadeiras paisagens humanizadas. A montante de mais este sinal de ruina da autonomia regional estão os nossos representantes à assembleia da república que deixaram passar um lei que , no entender, não pode ser aplicada na sua generalidade ao todo território nacional por motivos das especificidades orográficas e do problema das limitações naturais dos terrenos aráveis diferentes de região para região, como é o caso da Madeira. E o que mais revolta no meio desta encruzilhada em que se encontram os nossos agricultores é o fato deste ano terem assumido maiores encargos com o preço da água de rega, de assistirem a discursos por parte dos responsáveis pelo setor sobre os benefícios do funcionamento das lagoas artificiais, autênticos sorvedores de milhões de euros, sem resultados à vista e do apelo à obrigatoriedade pelo enquadramento fiscal da atividade assegurando, assim, um processo contabilístico de faturação pelas vendas de um ramo de salsa, de uma couve e do serviço de transporte dos produtos. Entendo, ser isto, uma verdadeira traição a centenas de homens e mulheres de rostos sofridos e mãos calejadas sem rendimentos certos que ao legalizarem a sua atividade, por imposição desta lei cega, incorrem com fortes probabilidades de muitos ficarem sem subsídio de desemprego e outros apoios sociais devido, ao facto, de terem sido levados a coletar-se nas finanças o que implica o reconhecimento da obtenção de um rendimento e a consequente cessação de apoios sociais. Nesta luta é importante que os valores de Abril vençam com os agricultores em geral e da Madeira em particular, resistindo ao genocídio do produto do seu trabalho e acabando com a teimosia do lançamento da rede sempre para o mesmo lado com medos e receios que, do outro lado, possa não haver abundancia de peixe. Aos agricultores da nossa Região deixo também este pensamento de Mahatma Gandhi " quando alguém compreende que é contrário à sua dignidade de homem obedecer a leis injustas, nenhuma tirania poderá escravizá-lo".