Passados 39 anos, é importante relembrar a Revolução iniciada em 25 de Abril de 74, onde o vermelho não foi de sangue, mas da côr dos cravos, colocados , nas espingardas dos militares. O sangue derramado , foi de democratas feridos ou mortos pelos carrascos da PIDE ,pelas quatro horas da tarde desse dia libertador. Hoje, cerca de 40% da população nasceu depois do derrube da longa tirania fascista e colonialista. Muito poucos sabem o que foi a tirania de Salazar e Caetano, associada à opressão dos povos das Colónias , e à concentração da economia monopolista. Quantos sabem o que era a Polícia Secreta, a PIDE/DGS, as cadeias do Aljube , de Caxias, de Peniche do Tarrafal ou da Machava? O 25 de Abril pretendia acabar com a guerra, que vitimou os filhos do Povo. Em dois anos acabou-se a guerra entre irmãos e os nossos países hoje cooperam livremente. Abril trouxe a liberdade política, a existência de partidos e sindicatos representativos dos trabalhadores. Abril construiu o poder democrático autárquico próximo das populações, instituiu o Serviço Nacional de Saúde, gratuito e universal para todos, democratizou a escola permitindo um ensino a todos, quando antes era só para ricos. Abril produziu a Constituição que só teve os votos contra do CDS, partido que Vasco Lourenço chama « Pide bom ». Em Novembro de 75 , veio a contra revolução, e, o regresso em força dos partidos do «arco do poder» PS/PSD/CDS e do capital económico e financeiro. Um homem só é livre, se não oprime outro homem. Como dizia Brecht, apenas quando formos instruídos e aprendermos com a realidade é que podemos modifica-la. Precisamos de Democracia, não a de Novembro, mas a de Abril: uma democracia para o Povo, uma economia agrícola que sirva as nossas necessidades , uma economia do mar ao serviço da nossa Pátria- uma economia patriótica e outro governo.
Dírio Ramos - Vereador do PCP na CMF