Na ilha vive-se tempos agitados devido à falta de valorização das pessoas por mérito. Uma má gestão e valorização dos nossos recursos humanos é geradora de pobreza e o nosso desenvolvimento cultural transformou-se num cinzentismo, denegrindo a paisagem romântica que tanto Marx Romer enfatizou. Na Madeira, a classe política e o povo comentam com razão os altos cargos ocupados por familiares dos governantes. Infelizmente a injustiça não fica por aí. Há pessoas que permanecem em cargos de chefia durante anos e anos porque nada fazem e vão passando para postos ascendentes onde passam despercebidos, dizendo sempre "sim" evitando criar polémicas. Há também os coleccionadores de "bengalas" para não citar as famosas "cunhas" e os "beija flores" que passam a vida a pedir uma ajudinha aqui, sorrisinhos e beijinhos tudo isto em troca de favores. Não gozam de grande personalidade e de sabedoria mas como os camaleões mudam de cor se assim for necessário. Para além destes falsos dotes também são seres híbridos mudando de forma e adaptando-se às circunstancias mais favoráveis pois não interessa defender o que é justo e verdadeiro. Como dizia François La Rochefoucauld: "O mundo recompensa mais vezes as aparências do mérito do que o mérito verdadeiro". Perante esta realidade, como motivar os nossos alunos para a importância do estudo e da detenção de sabedoria? se sabemos que até a atribuição de um simples emprego nunca será atribuído pelo mérito profissional mas sim por determinada encomenda de uma pseudo-identidade. Há muita pedagogia, pouca prática e muita contradição. Os alunos aprendem com aquilo que fazemos e não com aquilo que dizemos pois a realidade nada tem a ver com os verdadeiros valores que tentamos transmitir. Neste momento, na Madeira, há muitas pessoas a passar fome e a grande maioria tem fome de justiça social.

Patrícia Sumares - Professora