Amaro Santos Está na hora da rega e nem sinal de água na Levada das Figueiras-Machico. -Vizinho, a "levada" tá por aí? - Se está à espera da água, é melhor desistir, retorquiu o vizinho. A levada está entupida já há algum tempo. Não resolvem o problema, não comunicam, e estamos aqui pendurados à espera de nada… - Ouvi falar que até tem mais pessoal… do desemprego… - De que serve ter pessoal se não resolvem as coisas… Telefono ao levadeiro, telefono ao responsável… nada. Mais um dia estragado. Desisto! Escrevo no meu diário, ele absorve todos os meus queixumes: - Desta vez não há água, da próxima até pode vir, da seguinte um poucochinho apenas, da outra que virá poderá ser roubada logo a seguir à entrega, da que virá depois poderá trazer a poluição do tamanho do seu caudal… É um autêntico carrossel. A faina nesta levada não passa de uma maldita coisa atrás da outra. Não estou indignado porque esse sentimento já está decalcado, mas estou triste por ver coisas que se podem resolver facilmente e continuam na mesma. Sei que não é, mas até parece desleixo. Gastamos o nosso tempo, trabalho e algum dinheiro para plantar, manter as árvores e outras… até para dar algum brio à paisagem e como compensação parece que a "mãe natureza" nos castiga com esta levada. Então por quê aumentar a contribuição? O mundo também já andou ao contrário.