A Madeira vai investir numa modalidade chamada Capoeira - expressão cultural afro-brasileira que mistura desporto e arte-marcial, muito desenvolvida no Brasil por descendentes de escravos africanos e caracterizada por golpes ágeis e sub-reptícios, utilizando chutos, rasteiras, cabeçadas, joelhadas, cotoveladas e acrobacias. Numa estratégia de concentrar as dotações para o desporto e evitar a "instrumentalização política integrada numa série de tentativas de desordem, coincidentes com a instigação que alguma comunicação social vem montando, o Governo decidiu suspender o seu apoio ao futebol profissional, a partir do próximo dia 1 de Agosto, indo apenas proceder às dotações deste ano que sejam devidas a clubes, numa orientação política nova de não misturar governação e clubes". A aposta agora é a Capoeira. Terá uma adaptação à realidade regional e será situada numa verdadeira luta de galos que, aliás, já estão em pé de guerra. Galos cansados de serem patos, galos com alguma idade, já sem os olhares libidinosos para as araras da capoeira, mas sabedores que poderão comer do bom e do melhor. O Galo Velho - galo velho é ditador - poderá ainda dar a sua bicada, nos galos que já lhe aplicaram golpes e, mesmo de crista murcha, poderá viciar a luta a seu favor, tendo já ido cantar a várias capoeiras da região. Mas atenção que algum dos galos novos, num golpe de coragem, pode dar a bicada decisiva. Só que "isto pode acabar de maneiras que não serão as constitucionalmente previstas". E da papada sai um ovo!
Eduardo Fonseca, Jornalista