Nas últimas semanas temos ouvido falar muito do mar, enquanto elemento agregador da oferta turística da Madeira. Falou-se de um 'cluster' náutico, haverá um fórum sobre recifes artificiais, enquanto promotores de desenvolvimento turístico, científico e ecológico, e a Ordem dos Economistas marcará o seu evento anual sobre Turismo com uma conferência que abordará o potencial do mar no desenvolvimento do turismo madeirense. São eventos que consideramos importantes e úteis para o debate da oferta e algum retraçar de rumos que se devem afinar, numa época em que alguns promotores e hoteleiros andam aos papéis, a receber tudo o que lhes bate à porta, a qualquer preço, com o objectivo único de facturar, de agarrar o cliente, no ano de todas as desgraças. Têm alguma razão, porque é preciso pagar pessoal e satisfazer os impostos cobrados por uma Região Autónoma, certamente sujeita a legislação nacional, mas sem qualquer poder de intervenção num sector que, pela sua importância, deveria ter cuidado melhor e contribuir para a solução dos problemas que hoje afectam os empresários, embora não isentos de culpas neste negócio que, nalguns casos, não apontavam viabilidade. Mas fazem mal, porque estão a colocar em risco a rentabilidade e o futuro da hotelaria da Madeira, cuja baixa receita por quarto disponível afasta investidores fortes e cadeias de prestígio, que poderiam, apenas com a sua presença, constituir-se como os principais promotores do arquipélago. As estatísticas dos últimos meses mostram recuperação de tarifas. Ainda bem. Contudo, sabemos que para este Verão há contratos feitos com operadores portugueses, franceses e polacos, por exemplo, a preços inexplicáveis. Desde os cinco aos três estrelas há tarifas tão baixas nos hotéis locais que envergonham e humilham os profissionais madeirenses que procuram prestar um serviço de excelência aos hóspedes das unidades em que trabalham que, por sua vez, na maioria emparelham entre os melhores do Sul da Europa. Anda por aí um operador francês a tentar comprar quartos a 11 euros por noite. Acreditam? Pois é verdade. Sei que um hoteleiro respondeu que para "vestir" o quarto gasta 8 euros… pouco ficaria para os restantes custos. Não nos parece que tenhamos de pagar para receber turistas. Afinal, temos tudo… menos preço de acordo com a qualidade que oferecemos. Mesmo que a situação seja difícil, não entendemos esta vertigem para os saldos. Vai ser preciso acertar tabelas, antes de se passar à discussão do tal plano estratégico…
Catanho Fernandes, Jornalista