É comum afirmar-se que a saúde é um direito constitucional assegurado pelo estado, através de um serviço público que garanta uma progressiva melhoria das condições de saúde de toda a população. Esse progresso constatou-se nos resultados alcançados nos cuidados de saúde materno infantil, no incremento das campanhas de vacinação, na promoção da saúde e na prevenção da doença principalmente na classe etária jovem e na idade adulta. Estas estratégias resultaram numa acentuada redução da mortalidade infantil, aumento da esperança média de vida e numa evidente evolução das condições sanitárias da população nas últimas décadas. Os indicadores de saúde constituem um precioso instrumento para avaliar as condições de vida de uma população, pelo que a taxa de mortalidade infantil assume particular importância, por ser um dos indicadores mais sensíveis do estado de saúde de uma comunidade. Os últimos dados tornados públicos, colocam a Região com um dos piores indicadores de mortalidade infantil dos últimos anos, o que deverá merecer de quem governa a saúde na região, uma profunda reflexão e conhecimento do perfil de mortalidade infantil, que proporcione a adoção de medidas adequadas para debelar o problema Uma população informada, económica e socialmente capacitada está mais consciente, apta e disponível para ir ao encontro da satisfação das suas necessidades básicas, só assim poderá evitar situações de vulnerabilidade e pobreza, prevenindo o aparecimento de doenças e elevadas taxas de mortalidade. A atual situação social e económica, subjugada a programas que não consideram em primeiro lugar as pessoas e os seus problemas, veio impor medidas que conduzem à redução drástica das funções sociais do estado, fomentam o encerramento de empresas levando ao aumento exponencial do desemprego. Consequentemente assiste-se à redução efetiva dos salários, à diminuição do poder de compra, à precarização das condições de trabalho, incapacitando os indivíduos da elementar satisfação de necessidades humanas básicas, levando muitas vezes à exclusão social e à doença. A ausência de saúde afeta o comportamento da pessoa em todos os aspetos influenciando e determinando o seu contributo para o agregado familiar e a comunidade onde vive. Uma saúde precária numa percentagem significativa da população é um grande obstáculo ao desenvolvimento social e económico do País. Dai que os custos com a saúde devem ser encarados como um investimento no capital humano e estar na primeira linha das responsabilidades do Estado. No passado dia 31 de março comemorou-se o dia Nacional do doente com acidente vascular cerebral (AVC). No próximo dia 7 de abril comemora-se o dia mundial da saúde, este ano dedicado pela (OMS) à sensibilização para a prevenção da hipertensão arterial. A comemoração destas datas são momentos importantes para refletirmos e olhar para a nossa sociedade e perante os números conhecidos, AVC primeira causa de mortalidade e de incapacidade em Portugal cuja origem principal é a hipertensão arterial, perturbação silenciosa e muitas vezes assintomática. Importa sensibilizar e chamar a atenção da população e particularmente dos jovens para estes problemas. É fundamental desde muito cedo falar de estilos de vida saudáveis, de correção de fatores de risco, de alimentação equilibrada e do exercício físico adequado a cada pessoa e a cada idade. Em conclusão a promoção da saúde e a prevenção continuam a ser as melhores ferramentas, com evidentes ganhos económicos e com melhores resultados.

Juan Carvalho