Nunca percebi a razão do dia das petas, mas que tem piada, lá isso tem. Mais ou menos evidentes, as mentiras têm um traço comum na sua construção: destacar algo que um número significativo de pessoas desejam e decorar com mais ou menos arte. Muitas vezes também espelham a vontade do próprio autor, as suas fantasias e ambições e servem para mandar recados.

Foi assim que, logo aos primeiros minutos do dia 1 de Abril, os portistas, como eu, ficaram momentaneamente interessados ao ler, no facebook, que o Benfica iria perder nove pontos por má inscrição do Lima. Era uma recuperação na secretaria, mas lá que tinha piada... Era peta.

A sensação deve ter sido semelhante à dos agentes desportivos que, pela manhã, leram no Diário que iriam começar a receber parte dos calotes de vários anos que o Governo Regional acumulou. Dívidas monstruosas que já obrigaram a desistir de competições, dar faltas de comparência, despedir treinadores e atletas e até encerrar clubes. Infelizmente, era peta... Por mais que se multipliquem as promessas, o Governo não vai cumprir as suas obrigações. Nem a 1 de Abril do próximo ano.

Mais confusa, mas traduzindo tudo o que o(s) autor(es) sonham ou deliram, a peta do ‘JM’ desenhava um cenário de comédia em que misturava jornais e partidos, numa salada russa que teria como objectivo acertar agulhas para as eleições autárquicas. Como nestas coisas não é preciso ser rigoroso, não se percebia metade do que estava escrito, mas tinha piada.

Curioso e revelador da autoria da prosa – é estranho que o habitual ‘incluso’ tenha sido substituído por ‘inclusive’ – é terem metido ao barulho o chefe de gabinete de Miguel Albuquerque e o tal ‘meio PSD’ que é tratado como um partido da oposição. Já estão assim. Era peta, delírio ou sonho, mas difícil de identificar porque semelhante à maioria dos escritos que diariamente são assinados ‘JM’ naquele jornal. Neste caso, a peta serviu para exteriorizar raivas e desesperos. Também por isso teve piada.