Os portugueses vão expulsar a coligação PSD/PP do governo e o PS irá assumir os destinos do país já nas próximas eleições legislativas. Ainda na oposição, desmascara os erros estratégicos cometidos, denuncia a perseguição aos funcionários públicos, contesta a austeridade, o corte de salários, o aumento de impostos e o desemprego. Todavia, como "gato escaldado tem medo de água fria", o que pretende fazer o PS ao chegar ao poder? Vai repor tudo o que tem contestado e votado contra? Ou o discurso da discordância está formatado apenas para a bancada da oposição, enquanto escondem um outro texto para quando assumirem o governo, tal como fizeram o PSD e o PP, de forma descarada? E em relação às Regiões Autónomas. Votaram contra a nova Lei das Finanças Regionais, por ser injusta e prejudicial aos portugueses das ilhas e têm denunciado o não cumprimento da Lei de Meios com a Madeira. Mas, quando conquistarem a maioria, vão criar uma nova Lei e restituir tudo o que foi retirado aos madeirenses? Vão resolver o problema do Centro Internacional de Negócios da Madeira? Vão conceder mais tempo para a Região pagar as suas dívidas? Ou vamos assistir a mais do mesmo, isto é, ao dito por não dito, às posições políticas demagógicas a justificar o injustificável, enquanto os deputados eleitos nas ilhas limitar-se-ão, de novo, a se lamentar e a entregar declarações de voto que não servem para nada? Não está em causa a mudança política, ela é necessária e inquestionável. O PS é a única alternativa credível a esta direita sem escrúpulos, no entanto, estou cansado dos ziguezagues dos partidos do arco do poder que na oposição assumem um tipo de discurso e no poder assumem uma prática completamente diferente. Depois de conquistarem os votos, viram o disco com enorme facilidade, com uma frieza revoltante e com uma demagogia provocadora.
Rui Caetano, Professor