Quem diz que um derby vale apenas três pontos engana-se redondamente. Não é possível esquecer os dois golos do Bruno, um deles de canto direto, aqui há uns anos, a virar o resultado, no Estádio da Madeira. Ou o golo do Gouveia, umas épocas antes, a fazer com que o Nacional se impusesse perante milhares de espetadores no primeiro estádio que projetou, para o lado dos Barreiros. Foram golos que deram vitórias, que deram pontos, é verdade, mas que, sobretudo, alimentaram tanta conversa, tanta paixão, que o seu valor tem de ser medido por outra bitola. Nem todos os matemáticos juntos hão-de encontrar a fórmula certa que explique aquele sorriso com que o adepto vencedor fica armado durante dias a fio, perante o olhar baixo dos rivais. Nem sempre foi assim com o Nacional. Na sua histórica rivalidade com os clubes do Funchal andou a passear a sua altivez mas nem sempre com correspondência em termos de resultados. Na primeira experiência na então 1ª Divisão, o empate, tanto quanto me lembro, foi o resultado mais comum nos jogos entre os insulares. Foi com a subida de Rui Alves à presidência que o clube se desinibiu, ganhou outra dimensão e começou a obter com alguma consistência resultados antes impossíveis. Apesar da equipa do Nacional não ter obtido um rendimento ao nível de outras épocas, aguardo que retome os bons resultados, e que Manuel Machado faça com que o clube termine a época com o mesmo brilhantismo com que a começou, ao conquistar o Ramón Carranza. Uma vitória domingo será o segundo troféu. Nota de redacção Por motivos pessoais, Paulo Pereira, habitual cronista do DIÁRIO em representação do Nacional, não pôde dar o seu contributo para a edição impressa de hoje.

Ivo Caldeira, Assessor de imprensa do Hospital São João