Nos últimos tempos, muito se tem falado de industrialização, não fosse esse um vector essencial na estratégia de crescimento económico idealizada por Álvaro Santos Pereira. O ministro da economia que, aliás, foi injustamente ridicularizado por querer elevar os pastéis de nata a "desígnio nacional", uma ideia que, entendida em sentido metafórico, não é, de todo, desprovida de sentido. A nossa indústria tem sido profundamente negligenciada, mormente, com a entrada na CEE, que fez a indústria render-se às facilidades do mercado único europeu. Efectivamente, era bem mais barato comprar lá fora do que produzir internamente e, nessa senda, demitimo-nos de encontrar factores de competitividade para a indústria, e, alimentados pelo crédito barato e abundante, desindustrializámo-nos. A consequente terciarização da economia conduziu a excedentes na balança de serviços, mas agravou o saldo da balança comercial por via do colossal deficit nas transacções de bens. O desafio do presente prende-se com a reactivação do tecido produtivo, redução da dependência externa e aposta em bens transaccionáveis que incorporem conhecimento especializado e inovação como eixo diferenciador, para que possamos aumentar as exportações e substituir as importações por produção nacional. É crucial valorizar o que produzimos, e maximizar o valor acrescentado para o PIB de indústrias como o calçado ou capitalizar recursos humanos em áreas de excelência como a engenharia. Com esta estratégia, que se confunde também com a estratégia de internacionalização das PME portuguesas, o País pode lograr em termos de criação de emprego.
Rafael Freitas, Colaborador da AAUMa