O Vagrant vai mesmo sair do local onde se encontra, junto ao cais regional, há sensivelmente 30 anos, mesmo contra a vontade do empresário, que explora a unidade de restauração.

A movimentação no local de agentes da Polícia Marítima e da Administração dos Portos da Madeira já dá nas vistas. Conforme constatou o DIÁRIO pelas oito da manhã, autoridades e outros trabalhadores entraram mesmo nas instalações do espaço comercial que acolhe o ex-barco dos Beatles para retirar tudo o que encontrarem.

Cumpre-se assim a promessa das autoridades regionais de que tudo fariam para libertar a área ocupada pelo restaurante, caso o proprietário não acolhesse a recomendação dada. A APRAM já havia notificado o empresário no final do ano passado de que deveria retirar as instalações e abandonar o local. Como isso não aconteceu, as entidades públicas consideram que se trata de uma ocupação ilegal.

O Vagrant está num espaço em que o Governo Regional está a construir o que chama de ampla zona verde. Além da área ocupada pelo iate, a intervenção vai abranger todo o terrapleno conquistado ao mar com a deposição dos inertes retirados das ribeiras, no pós-'20 de Fevereiro', e até uma pequena parte da avenida do Mar.

As licenças para funcionamento do Vagrant tinham uma validade de seis meses. A última terminou em Dezembro passado e não foi renovada. A ocupação do local implicava ainda o pagamento à APRAM, mas existirá um historial de rendas em atraso.

Em tempos, o Vagrant chegou a ser considerado um ícone do turismo regional, como em Dezembro passado lembrou a respectiva administração. Em 1988, o proprietário, João Bartolomeu de Faria, chegou mesmo a receber a Estrelícia Dourada, como reconhecimento dos bons serviços na área do turismo. Mas, nos últimos anos, o empreendimento tem vindo a degradar-se. Esse processo foi acelerado na sequência do mau tempo do 20 de Fevereiro de 2010.

Nos últimos tempos foram levantadas várias hipóteses para o futuro do Vagrant, sendo uma das mais faladas a do afundamento do Vagrant, próximo do Clube Naval, de forma a criar um recife artificial. Além de, ao que tudo indica, esta solução não reunir qualquer simpatia junto do proprietário, tornou-se cada vez mais improvável, devido ao andamento das obras à frente, no espaço entre o iate e o mar.

Raquel Gonçalves