"A vida é como andar de bicicleta. Para manter o equilíbrio, é preciso estar em movimento." Albert Einstein Lembrei-me destas palavras enquanto deambulava por Valência. Terminara um evento desportivo e só tinha vôo de regresso à Pérola do Atlântico no dia seguinte. Recorria a uma bicicleta que alugara, uma moderníssima pasteleira. Sendo uma cidade essencialmente plana, torna-se fácil pedalar largas distâncias. Mas não é só este facto que torna o deslocar-se de bicicleta um prazer. É, acima de tudo, a enorme rede de ciclo vias que se estende por toda a cidade, perfeitamente delineada, bem sinalizada, mapeada e implementada. Percorri a Ciutat Vella de lés a lés, para depois deliciar-me no antigo leito do rio Turia, desviado mais para sul nos anos oitenta para evitar cheias catastróficas, onde floresceram jardins e uma ampla área de lazer. Já mais perto da sua foz, entrei num outro mundo, como se fosse o futuro: la Ciutat de les Arts i les Ciències. O imenso complexo de edifícios, construído no Jardín del Turia, foi desenhado pelos arquitectos Santiago Calatrava e Félix Candela e é um ex libris da cidade. Saí do leito do Turia e pedalei até à imensa Marina Real Juan Carlos I que, em 2007, foi sede da 33ª Taça América, o maior evento de vela à escala mundial. Ainda lá estão as bases dos diversos sindicatos, com destaque para o pavilhão dos italianos Luna Rossa Prada, cujas paredes estão integralmente forradas com velas dos majestosos veleiros, e dos suiços Alinghi, o primeiro sindicato Europeu a vencer esse mítico troféu. Terminei a pedalada no Paseign Marítim de Neptú, já junto ao Mediterrâneo, recolhendo-me ao hotel. As ciclo vias, paulatinamente, vão ganhando o seu espaço nas grandes cidades, retirando carros das estradas, modificando as sociedades e seus hábitos. E ainda bem. Nas montanhas, têm outro nome: trilhos. Sobre estes, falaremos numa próxima oportunidade.

João Rodrigues, Velejador olímpico