Chamei a este texto o regional-porreirismo, mas também lhe podia ter chamado a política do deixa andar. É inaceitável que, perante o que se assiste ao que se passa(ou) no turismo nos últimos meses, as autoridades locais insistam no discurso do "está tudo bem", os "números são animadores" ou "as taxas de ocupação estão a subir". Eu (já) não espero que as autoridades que regem o turismo regional nos digam tudo o que se passa, e que publiquem todos os dados relativos ao que passa, mas continuar no discurso do "está tudo bem" é jogar areia para os olhos da população. Eu tenho (ainda) esperança que os responsáveis pelo turismo regional tenham alguma noção do que se vem passando, do desapontamento que têm sido as taxas de ocupação (mesmo nas ditas épocas altas), e dos preços que foi preciso fazer para conseguir até mesmo essas taxas. Gostava que fosse tornado claro que se tem assistido a uma quebra dramática na rentabilidade de todo o sector do turismo na Madeira, que se tem vindo aliás a repercutir na sustentabilidade de empresas do sector, a todos os níveis. Tem havido falências e encerramentos, mas também há salários em atraso. Cada vez que se cortam as margens de lucro das operações (vendendo excursões sem almoço, alojamentos sem transferes, voos sem alojamento, …) é dinheiro que não entra na Região. Se se tratasse de uma poupança real para o consumidor, ainda compreenderia, mas na maioria dos casos a margem acrescida entra nos cofres do operador. E os preços mais baixos acabam por atrair um público diferente daquele com que trabalhamos habitualmente, que não quer o que temos para oferecer, e que portanto reclamará - pelo que os padrões de qualidade inferidos vão cair. Adorava estar enganado, mas receio que neste caso a realidade seja tão óbvia que não há peneira que tape tanto sol…
Roberto Loja