Quem trabalha no turismo sabe que chegado Abril é comum dizer-se que «começou a época» querendo significar com isso que entrámos no período mais alto de frequentação turística e da rentabilidade das vendas inerentes. Mas, nem sempre foi assim, tempos houve em que a estação alta do turismo na Madeira era o Inverno, de Novembro a Março, em resultado da procura dos turistas provenientes do Norte da Europa em busca de destinos mais quentes como o nosso ou a vizinha Canárias. Ora, olhando para as estatísticas de hóspedes registados na hotelaria da Madeira em 2012 dei conta que os 5 meses em questão absorveram cerca de 30% da procura anual, quer se trate do mercado nacional ou do conjunto dos mercados estrangeiros, enquanto os restantes 70% se distribuíam pelos 7 meses de Abril a Outubro originando a conhecida sazonalidade que afecta a tesouraria de muitas empresas turístico-hoteleiras, e de outras que dependem em maior ou menor grau do consumo dos visitantes exteriores á Ilha (Madeira e Porto Santo). Neste contexto, surpreendeu-me o facto dos mercados escandinavos (Dinamarca, Finlândia, Noruega e Suécia), que constituem no seu todo, o 4º mercado em número de hóspedes entrados nas diferentes estruturas de alojamento da Região, se concentrarem em 55,6% nos ditos meses de época baixa, pormenor inédito e não desprezível no conjunto de mercados que demandam este destino. De facto, quando se compara com os hóspedes franceses (15,6% no período em questão), ingleses (34,3%) ou mesmo alemães (36,5%),apesar da maior significância destes em termos absolutos, percebe-se a importância relativa de uma estratégia de aproximação a estes mercados. Será então que é dada a atenção merecida, por parte das entidades públicas e privadas do turismo, a esta vantagem competitiva na atracção de turistas na época mais carenciada dos mesmos? Sabemos quanto o problema dos transportes é crucial nestes mercados mas será que fazemos tudo ao nosso alcance para promover a Madeira nesses mercados ou, noutra perspectiva, será que a nossa oferta é a adequada às motivações e hábitos dos residentes nesses países com uma cultura claramente diferenciada dos habitantes a Sul (é por demais conhecida a sua preferência por alojamento self-catering, mas não só)? Acresce que mais hóspedes significam mais gente na Região a pernoitar, comer e comprar, pelo que a questão não é de somenos importância e justifica a reflexão e a tomada de iniciativas em conformidade. O mote está dado.
Nuno Jardim Fernandes, Gestor