É verdade que o país e a região enfrentam as maiores dificuldades económicas, financeiras e sociais de que há memória, fruto da má gestão dos recursos disponíveis, mas também, diga-se, pelas consequências da crise financeira que vem afetando a europa e outros países mais desenvolvidos do mundo. Por isso, seriam necessárias algumas medidas excecionais para enfrentar o problema criado pela incompetência dos governos e dos bancos. Mas, não terão os governos exagerado na dose? Primeiro foram as medidas da Troika, depois um número elevado de medidas de austeridade da responsabilidade da República com aplicação também na Região, depois as medidas de austeridade impostas pelo PAEF. Tudo medidas incompatíveis com a realidade económica do país, da região, das empresas e das famílias. Será que não havia outras soluções para resolver o défice? A solução pelo lado do aumento de impostos resolveu algum problema? Não! Só aumentou a recessão o desemprego, a pobreza e a falência de milhares de empresas. A título de exemplo, a passagem do IVA para o escalão máximo no sector da hotelaria criou mais 100 mil novos desempregados, para além da diminuição de impostos e receitas do turismo. Agora com o chumbo do Tribunal Constitucional de algumas normas do OE, o governo, numa atitude de vingança, prepara-se para aumentar mais impostos e congelou as despesas nas áreas sociais, nomeadamente saúde, educação e cantinas sociais. Mas, é o mesmo governo severo com o povo que não corta nas gorduras do estado que nos últimos meses nomeou mais 250 pessoas para cargos de confiança num total de 1080 em 20 meses de mandato que custa aos contribuintes largos milhões de euros anuais. É o mesmo governo que vai assumir 7 mil milhões de euros de prejuízos do BPN. Para estes protegidos de Passos Coelho, Paulo Portas e Victor Gaspar não existe crise, os sacrifícios são para os mesmos de sempre, as famílias, o povo que trabalha e paga impostos. Chegou o momento de dizer basta!
João Isidoro, Presidente do MPT-M