Atualmente, valoriza-se, cada vez mais, a informação. Estar sempre bem informado tornou-se essencial na sociedade. Assim, por motivos pessoais ou profissionais, as pessoas procuram ter acesso a informações que podem, ou não, afetar seu quotidiano. A maior parte dessas informações são "produzidas" e divulgadas pelos meios de comunicação social. O papel dos diversos meios de comunicação social na sociedade é discutido por muitos estudiosos e pesquisadores e a sua importância e influência é indiscutível. Porém, tão importante como o meio ou o veículo de comunicação, que é o grande meio de divulgação das informações, é a notícia que precisa ser elaborada diariamente pelos profissionais desses meios de comunicação. Pode-se dizer que a função mais básica do jornalista é contar uma história. Por outras palavras, o seu papel fundamental é transmitir ao seu público aquilo que aconteceu, exata e detalhadamente, por meio de um trabalho de investigação sério e rigoroso e com testemunhas que presenciaram os acontecimentos. Conclui-se que a notícia se constitui, deste modo, o principal meio de transmissão de fatos para a sociedade, e os meios de comunicação divulgam esses mesmo factos. No entanto, todos temos também noção de que tal como toda a comunicação social, as notícias possuem também uma importante e decisiva função social, já que o trabalho jornalístico tem por finalidade última informar. Muitos afirmam que "toda a notícia é uma informação, mas nem toda a informação é uma notícia". Ora, isto quer dizer que é necessário que as informações passem por alguns "filtros" que irão dizer se ela poderá, ou não, tornar-se uma notícia. Esses filtros são, como é óbvio, os critérios de seleção e construção das notícias. Neste processo informativo, é natural que os vários meios de comunicação definam padrões no seu processo de "produção jornalística", de modo que os jornalistas que trabalham nesse mesmo meio de comunicação elaborem as notícias de acordo com orientações e caminhos semelhantes. No entanto, esta padronização pode "engessar" os jornalistas que se acostumam tanto com determinado modo de fazer uma notícia que depois têm dificuldade em escapar a esse molde, correndo o risco de, algumas vezes, transformarem a notícia numa espécie de mercadoria. Era importante, ainda mais nestes tempos de dificuldade, que os meios de comunicação social aplicassem, com o máximo de cuidado, os critérios que o jornalismo deve utilizar para selecionar as notícias que merecem, ou não, serem publicadas, de modo a trazer os assuntos de mais interesse, proximidade e relevância da sociedade para os jornais e telejornais e depois ordená-los de modo a facilitar o acesso aos leitores e telespetadores. Ora, não se pode continuar a repetir mecanicamente as mesmas notícias de incidência partidária, económica e desportiva, esquecendo outros assuntos cuja atualidade, importância e inovação interessam às pessoas. A este propósito, refiro, como exemplo, a inauguração na Escola da APEL, na 2ª feira passada, da "Alameda do Pensamento", que conta com 16 esculturas (16 referências mundiais da cultura, ciência, arte e património) em betão branco da autoria do professor e escultor Luís Paixão, num percurso educativo que vai da escola da vida à vida da escola. E pergunto: será que, seguindo apenas os critérios jornalísticos de seleção das notícias, esta informação não deveria ter sido publicitada e divulgada por mais meios de comunicação social e ter presença nos jornais e nos noticiários? Sabemos todos que esses critérios servem apenas de apoio e suporte para as decisões jornalísticas que são tomadas, já que outros factores que estão à volta de um episódio ou assunto podem ser também relevantes para a decisão de "dar" as notícias. É necessário que esses critérios predominem e se possam dar, de facto, as "boas notícias" de que todos precisamos.
Marco Gomes