Numa lentidão aparente, Portugal caminha, afogueadamente, na única direção possível mas seguindo o percurso mais penoso e doloroso. Na ilusão desta opção, resulta o desencanto de um povo a quem sempre se agraciou com facilidades em troca de uma paz aparente e de uma vida colectiva desresponsabilizada e motivada mais pela aparência do que pelo conteúdo. Há muito que se percebeu que o país não foi "montado" para lidar com a mudança. Quem tem passado pela governação deste "Estado Europeu" tem lidado com as dificuldades impostas pelo modelo assente numa Constituição que saiu e que se mantém muito fiel aos princípios revolucionários que, embora ultrapassados, ainda são usados como bandeiras dos agitadores das consciências mais fracas e que preferem um Portugal assim, porque primeiro estão os direitos e os interesses individuais. Esse tempo acabou! Muitos não o querem ver mas a verdade já é outra. Não enfrentar a realidade é sofrer continuadamente na recusa, na revolta inútil, na inadaptação e no julgamento fácil de uma culpa que é sempre dos outros. Tudo indica que as correções a realizar impõe uma inevitável atualização do texto fundamental do País. Não se percebe quem não o aceite, como não se entende aqueles que recusando participar, permitem que a degradação do País ocorra penalizando os mais fracos, os desprotegidos e que se destrua, simultaneamente, os ativos que valorizam Portugal. Existe um enorme sentido de irresponsabilidade política, numa altura em que o interesse nacional deveria fazer das oposições agentes interventivos na construção de uma país melhor. A história encarregar-se-á de evidenciar que a falta de participação nas mudanças que se impõem constitui a maior traição dos profissionais da política ao serviço de uma democracia que eles próprios se encarregam de desprezar. Vivemos num modelo que se autodestrói e faz de nós uma presa fácil e manipulável, num mundo onde estar atualizado significa, simplesmente, condição de sobrevivência. Portugal não é só dos portugueses. Neste momento, é dos seus credores! É tempo do renascer de uma consciência esclarecida, capaz de responsabilizar e banir a súcia que à custa de uma alegada, aparente e manipulada "democrato-dependência" faz de nós um povo sem governo e sem futuro.
Eduardo Jesus, Economista