Leitor identificado Era uma vez, um grupo de cidadãos desempregados, alguns deles considerados "velhos" para serem reinseridos no mercado de trabalho . Como diz o ditado : " Quem espera sempre alcança", surgiu uma oportunidade de formação proposta pelo Instituto de Emprego, a estes cidadãos. A formação tinha principal objectivo formar esses cidadãos para as futuras instalações para o lar de terceira idade no Caniço. Sendo uma oportunidade benéfica para um futuro emprego, todos empenharam-se no decorrer da formação teórica/prática embora, surgissem algumas dificuldades de aptidão durante a mesma. No decorrer da formação prática, já nas futuras instalações do lar, os futuros colaboradores depararam-se com um cenário caótico, ainda decorriam obras de finalização. Porém, mesmo não correspondendo às funções que iriam desempenhar, arregaçaram as mangas e começaram a limpar tudo, desde escadarias, arrecadações, vidros, varandas e até mesmo, trabalho mais duro descarregar contentores. Durante este espaço tempo, todo o trabalho executado era convivente de uma forma a ser visível um sorriso na cara de cada um dos trabalhadores. A motivação era muita e estes acreditavam que no futuro muito próximo, seriam felizes nas funções que iriam desempenhar e o esforço seria compensado. Abriria o lar designado por; "Atalaia Living Care", um projecto muito ambicioso, as perspectivas para o sucesso eram uma certeza absoluta. Os colaboradores começaram a receber os idosos, frequentemente afirmavam :"Os nossos idosos! São os nossos idosos!". Sem dúvida, que foram uns excelentes profissionais, desempenharam as suas funções de uma maneira eficiente para que todos idosos sentissem em casa e familiarizados com toda equipa desde enfermeiros e auxiliares. Havia colaboração entre todos os profissionais, no sentido não faltar nada aos idosos. Conquanto, quando os salários estavam em atrasos já alguns meses, os colaboradores não conseguiram suportar mais, pois, encontravam-se numa situação insustentável. Solicitavam à família dinheiro para o transporte e outras despesas; andavam à boleia uns dos outros para não faltar ao trabalho. Nesta altura, os colaboradores com pouco dinheiro tinham não conseguiam fazer face às despesas mensais, com as vidas já "viradas" ao contrário, chegaram ao consenso de reivindicar os seus direitos como trabalhadores, a greve foi uma forma directa de manifestar-se na tentativa de resolver a situação. Os colaboradores fizeram greve, mas, asseguraram os cuidados mínimos aos idosos. Neste contexto da greve, os idosos foram retirados da instituição, contra a vontade destes, porém, não havia opção de escolha. E como ficou a situação dos colaboradores da instituição " Atalaia Living Care "? A situação pouco ou nada mudou, foram esquecidos. Ninguém teve a consideração pela forma motivadora que trabalharam para aquela instituição. Caros leitores, continuamos a espera que alguém resolva a nossa situação de precariedade e como todas as histórias vamos esperar pelo um final feliz.