Pensar o Funchal como uma cidade atlântica que se irá posicionar como um espaço de criatividade livre e experimental é um dos desígnios para a próxima vereação funchalense. Num esforço público/privado, o Funchal terá que oferecer infraestruturas de habitação temporária para artistas a preços reduzidos, terá que criar espaços públicos de performance e interactividade entre artistas e público e terá que potenciar espaços para instalação de artistas e criadores residentes. O centro do Funchal tem esse potencial com a existência de vários bairros ou quarteirões abandonados por proprietários comerciais e industriais que fecharam com a crise ou saíram para parques industriais em zonas suburbanas. A criação de BAIRROS CRIATIVOS no Funchal deverá ser uma prioridade para a Câmara Municipal do Funchal no curto prazo, afim de evitar um crescente esvaziamento da dinâmica do centro da cidade. Este projecto deverá ser negociado globalmente entre a CM do Funchal e as principais instâncias que gerem as estratégias de financiamento da RAM, a saber: Governo Regional, IDR, IDERAM; Formação Profissional, surgindo como uma das estratégias principais da Madeira para o Quadro Comunitário 2020 para a área da Cultura. Mas também com as entidades privadas para que percebam que a cultura e as indústrias criativas podem criar riqueza, gerar empregos e promover a atração turística. Qualquer que seja a força política a governar o Funchal nos próximos tempos, ela não poderá continuar a viver apenas com uma política cultural de festas e grandes desfiles históricos que enchem o olho, mas que não trazem sustentabilidade para os agentes culturais e criativos que têm surgido nos últimos anos na capital.

Maurício Marques, Gestor Cultural