Joaquim A. Moura A cratera que se abriu no solo de Marvão, deve ter uma explicação, ao contrário do buraco colossal que rompeu o país, e por isso uma equipa de geólogos, arqueólogos e demais especialistas em buracos, próprios só de luas misteriosas, deslocaram-se para lá, cheios do ânimo, que a outros faltou, e os fez demitir. A nós, que não somos peritos senão em buracos abertos nos bolsos de tanto esgadanhar, parece-nos, que a quem cabia entender, o que naquela vila alentejana, bem longe do Entroncamento, aconteceu, era ao governo de Portugal, e muito especialmente os 1º ministros A, e 1º B - o da gestão nacional e o das finanças públicas e das dívidas fenomenais. Cremos nós, que a cratera é uma metáfora, uma mensagem ou ainda o "desenho" correcto do estado em que todos nos encontramos, e a céu aberto. Se é uma destas hipóteses, de certeza que não foi Víctor, o edil lá da terra, nem Víctor Gaspar, que desenhou aquele telúrico acidente, nem Passos Coelho foi arrastado desta vez para aquela lura imensa, embora nestes dois esteja a origem da muita água metida, que tem minado a nossa vida e o país. Devemos desconfiar da troika, que sempre que pisa solo luso, escava forte e afunda cada vez mais o povo português até às entranhas, enterrando-o em austeridade e na lama da penúria, que a máquina escavadora capitalista determina, ou que a srª Merkel impõe. Ao povo português, caberá agora evitar ou tapar mais este buraco negro e encharcado pela troika, ou fechar a cratera húmida da srª Merkel, antes que ela inche mais. Qual destas tarefas, a mais suada, e mais desagradável.