Na agonia dos dias presentes todos percebemos que o passado nos persegue. Esse passado confronta-nos hoje com as responsabilidades por uma dívida que em nosso nome foi feita, mas sem o nosso consentimento. A dívida abençoada é agora maldita. Foram dez anos a gastar como se não existisse amanhã. Foi gastar como se um dia não tivéssemos que pagar. É este legado que o PSD deixa à Madeira. Nos últimos tempos, tenho visto por parte dos dirigentes do PSD-Madeira, os mesmos que aplaudiram a estratégia, desresponsabilizarem-se e fazer de conta que nada têm a ver com isto. A fuga às responsabilidades é cobardia política e, em política, não há pior do que a cobardia. Estes dirigentes, que agora fogem, amanhã, numa situação idêntica, perante os erros que se cometem hoje, irão dizer que não têm responsabilidades. É comodo, é fácil, mas é covardia, mais ainda porque, quando dá certo, colocam-se, em picos de pés, para receber os louros; quando dá para o torto, fogem a sete pés nem tendo, a maioria, a coragem de assumir que erraram. Mesmo aqueles que dentro do PSD-M criticam hoje erros do passado, estiveram, então, envoltos num manto de silêncio, mantém-se, mais uma vez, em silêncio, em relação aos erros do presente. Mas já sabemos que, num futuro não muito distante, esses silenciosos seres irão, amanhã, aparecer a criticar, ululantes, os erros de hoje. Esta é, porventura, a maior crítica que se pode fazer aqueles que só agora aparecem, na opinião pública, como "salvadores da pátria". É fácil ter razão fora de tempo, que é o mesmo que nunca ter tido razão. Outros há, submissos, agarrados às ambições políticas, incapazes de "rasgar as vestes", que continuam num majestoso silêncio, querem que tudo fique na mesma, porque, agora, assim pensam, chegou a vez deles de serem candidatos a uma Junta de Freguesia ou a uma Câmara Municipal. Alguns fazem algum alarido, mandam dizer que não querem o Presidente do PSD-Madeira na sua campanha autárquica, mas, há bem pouco tempo, prestaram-lhe toda a vassalagem, fazendo campanha por ele e dando-lhe todo o apoio. Insanável contradição desta cultura, da qual me distancio, porque este é o pior de todos os legados, a covardia que, nestas ilhas, foi cimentada pelo obscurantismo do partido, outrora dominante, em que os interesses privados sempre estiveram acima do bem-comum.
Victor Freitas, Presidente do PS-Madeira