A História, a Política e a Cultura do Mundo Ocidental estão ligadas a vários eventos de conflito e sofrimento, grandes massacres e genocídios Durantes séculos, o Mundo assistiu a várias guerras, entre elas as Mundiais, as Coloniais e ainda as Civis. Contudo, não foram apenas os homens que tiveram um papel fundamental nestes acontecimentos, também as mulheres foram cruciais. Na época dos Descobrimentos os homens partiam à conquista de um futuro. As mulheres ficavam a vê-los partir, com a esperança de que se tornassem heróis da sua nação e regressassem a casa sãos e salvos. Durante muito tempo atribuiu-se ao homem a responsabilidade da saída de casa, da luta pelo sustento e até mesmo de governar a família. À mulher competia assistir, acompanhar e responder às necessidades do marido. Muitas chegaram a acompanhar os maridos na Guerra. Durante as Grandes Guerras, num clima de emancipação feminina por necessidade social e familiar e por resposta patriótica ao esforço nacional, as mulheres tomaram lugar em enfermarias e hospitais,na indústria (mesmo a de armamento) e até em serviços militares. No pós-guerra a relação igualitária homem-mulher era já vista com base na sociedade de paz que se queria construir. Dos períodos bélicos o que se sabe deve-se, sobretudo, ao sexo masculino, tanto em narração, como em apreciação da sucessão de acontecimentos. Contudo, a mulher teve um papel bastante activo nesses acontecimentos. Como afirmou José Saramago, em O Evangelho Segundo Jesus Cristo, "se a lei não tivesse feito calar as mulheres para todo o sempre, talvez elas, porque inventaram aquele primeiro pecado de que todos nasceram soubessem dizer-nos o que nos falta saber". Nos últimos anos, vários estudos têm sido desenvolvidos baseados nos testemunhos femininos das guerras. Presto, então, homenagem a essas Mulheres que durante muito tempo se mantiveram em silêncio. Elas, para mostrarem igualmente a sua versão dos factos, decidiram narrá-los e transmiti-los às gerações que lhes sucederam.
Filipa Silva, Colaboradora da AAUMa