Vivemos momentos de grandes incertezas e indefinições. Pedem-se sacrifícios e contenções em todas as áreas da sociedade. Bem, nem todas… todos sabemos que os políticos e os cargos de chefia continuam a seu bel-prazer a esbanjar o que não é deles. Uns delapidam o património nacional à descarada mas outros vão delapidando a nossa riqueza sorrateiramente, camuflando a vergonhosa tentativa de agradar aos deuses desta terra. Pedem coragem, compreensão e espírito de sacrifício. Pela frente, compreendem os nossos credos e as nossas angústias. Por trás, puxam-nos o tapete para que a queda seja fatal. Pela frente, ouvem as nossas preces prometendo soluções mas por trás, chamam um qualquer coveiro para descobrir o melhor local para o enterro. Pela frente, vemo-los sorridentes embandeirando-se perante as soluções encontradas e por trás, são gargalhadas satânicas que projectam cada esperança num fardo cada vez mais pesado. O Desporto Regional tem a mesma lacuna que os nossos (des)governos, reclama progressos e soluções para os clubes e associações mas a verdade é que são os próprios atletas, treinadores, dirigentes, árbitros, juízes e pais que inventam recursos que potenciam a sobrevivência de centenas de equipas. Cada vez mais se exige de uma sociedade deixada ao abandono e que desespera pelo bom senso de quem manda, mas quando é que estes últimos serão chamados à responsabilidade? Pela frente prometem e por trás esquecem. Pela frente aplaudem mas por trás maltratam. Pela frente, são Deus mas por trás… são Judas!

Arlindo Silva, Colaborador da AAUMa