A situação a que chegou o país é deveras lastimável. Em tão pouco tempo dois governos opostos foram capazes de destruir o país, tendo como pano de fundo, o controlo das contas públicas. Como se isto não bastasse, passamos a ser controlados e governados por uma organização externa, Troika, que nos impôs um apertado programa de ajustamento financeiro sem o qual não haveria dinheiro para o país sobreviver. Definiram-se estratégias a contento da Troika que ao emprestar dinheiro naturalmente queria salvaguardar os respectivos ganhos sem se preocuparem se os portugueses aguentariam ou não com tais medidas tão drásticas e num curto espaço de tempo. O desemprego atinge recordes, já vai nos 17,3%, com tendência a crescer, o número de empresas falidas é gritante, o número de famílias insolventes alcança valores preocupantes, a pobreza campeia por esse país fora, a emigração de jovens qualificados cresce a cada dia, a recessão da nossa economia não para de aumentar, cifrando-se em 3,2 e a nossa divida pública continua a subir. Eis o resultado a que chegamos, mais pobres, fruto da insensibilidade política de quem nos governa. Tentam agora mudar de discurso, fazendo crer que afinal a estratégia do governo está a dar frutos pois a confiança externa é maior e os credores começam a acreditar que Portugal conseguirá cumprir o programa a que está sujeito. Nada mais falacioso pois o que se verifica, é que as medidas definidas pela TroiKa e pelo governo falharam redondamente perante os actuais dados macroeconómicos, juntando-se a este facto a indignação e revolta do povo português face a tais medidas bem expressas na manifestação popular do passado sábado. Agora fala-se no prolongamento do prazo para cumprimento do déficit e da maturidade dos empréstimos europeus. Curioso que esta mudança de discurso ocorre logo após a corrente humana que encheu praças e ruas do nosso país e que o governo não pode ficar indiferente ao que se passou. O certo é que ninguém de bom senso acredita neste volte face pois a credibilidade do governo é nula e não é capaz de transmitir confiança aos portugueses que cada vez mais exigem adopção imediata de políticas que invertam o actual cenário e que possibilitem o crescimento da nossa economia.

José Manuel Oliveira