Até onde deve ir o espírito competitivo na prática desportiva? Até onde vai? Essas são questões muito antigas, que vêm à tona com os recentes acontecimentos do futebol a nível mundial. Em caso de fair play abdica-se da possibilidade de, por exemplo, se marcar um golo, em troca do cavalheirismo desportivo. Esta situação ajuda a manter uma atmosfera amistosa de confiança recíproca entre os adversários, especialmente em contextos em que só a obediência exclusiva das regras, em sentido estrito, pode gerar injustiças flagrantes. A 'violação do fair play' contribui para a existência de conflitos que ultrapassam os limites da competição desportiva. A atmosfera desportiva fica comprometida, podendo o imperativo do conflito estimular práticas violentas. De forma mais abrangente, tal leva a uma influência negativa em toda a cultura desportiva, estimulando actos de violência dentro e fora das quatro linhas, com especial relevo nos adeptos mais fervorosos. Façamos votos para que o espírito do fair play seja potenciado e mais aceite no desporto em geral. Que sejam delineados limites à competição para além das regras, em prol do mérito e em detrimento do abuso da regra.

Vítor Andrade, Colaborador da AAUMa