Poderia ser uma comédia ou uma tragédia, mas a realidade supera claramente a ficção. Os avisos e os alertas (amarelo, laranja e/ ou vermelho) têm sido frequentes e contundentes. O populismo, o desprezo e o estilo autocrático e a galvanização do chefe têm os dias contados. Já não existem condições: acabou-se pão e o circo! A utilização de recursos públicos sob o argumento da necessidade e expetativas das populações transformou-se numa rede de produção e reprodução de clientelas; numa burocracia partidarizada, assente sobre um caciquismo atroz, onde reina o despeito e a arrogância. A pobreza, a ignorância, o isolamento e o atraso económico determinaram e geraram a dependência de toda uma estrutura social, na certeza de "forjar um homem novo". Foi nesta base que os recursos financeiros foram sendo utilizados, ainda que sem qualquer estratégia, projeto, ancorado simplesmente num modelo de construção de obras públicas. A ordem foi construir, "encher o olho" com ou sem utilidade, não interessa. A incúria deste "modelo" teve e tem um preço, a fatura chegou! A possibilidade afortunada de um modelo de desenvolvimento sustentado transformou-se num pesadelo. Enrodilhado na manipulação de emoções, em promessas de um "El dourado" e agarrado a uma crença de legitimidade do poder, não previu que as "criaturas se revoltariam contra o criador". O tempo trouxe o alerta máximo do descontentamento, do sofrimento, do desespero, do inconformismo, do desassossego. Os sussurros tímidos ganharam voz, e o próprio sistema político produziu o alerta: o "povo superior" deixou de responder à voz do dono. Agora é o tempo do "homem revoltado"! De dizer não, de se insurgir contra uma situação que não pode suportar, contra uma escravidão contribuinte que dura há demasiado tempo! Desde as últimas eleições regionais (Outubro 2011) os avisos à navegação, sucedem-se. Desde logo os resultados eleitorais. O PSD-M obteve o mais baixo apoio eleitoral desde 1976 (48,5%). A disputa eleitoral interna, expôs as fragilidades e debilidades da longevidade de uma liderança. Os notáveis e as ilustres lealdades destoam da voz de comando. O apuramento e escrutínio de uma "dívida escondida" exigiu o ajuste económico e financeiro, pondo a nu o edifício construído em terreno pantanoso. A implosão está iminente. O tempo da justiça tende a ser lento, mas esse é outro tempo. No tempo da política, é através das eleições, que o povo soberano será chamado a validar a sua avaliação, e de ele próprio, apresentar a fatura. Deixemo-nos de cegueiras ingénuas e plebiscitos. Exige-se uma Madeira contemporânea (nem "Velha" nem "Nova"), repudiando a "praxis" e o "modus vivendi" que impera. É tempo dos doutrinários e doutrinados saírem de cena, é tempo de cair o pano!
Teresa Ruel