Este título, recente lido neste prestigiado jornal, inspirou-me para o escrito do mês. Informava o DN da possibilidade de frequência de um curso de "gestão da dor". Eu, que desde que vi cair na conta o ordenado de Janeiro ando com uma fortíssima dolorosa, de tal forma intensa que, saindo do bolso, já se alastrou pelo corpo todo, pensei cá para mim: - se for barato, se calhar não é má a ideia, até porque ela não passa! Adepto confesso da formação julguei que nem que fosse na lógica da catarse, seria bem melhor isso do que participar numa qualquer manifestação, até porque apesar de perceber a legitimidade e pertinência do protesto, a verdade é que não acredito nada nos seus benefícios. Mas já não sei o que fazer… Tenho perfeita noção de que andámos décadas a gastar dinheiro que não tínhamos em coisas que não precisávamos, o que implica que hoje sejamos obrigados a viver este ambiente de austeridade, que o DN insiste em estender aos caracteres que me disponibiliza. O problema é que não só não tínhamos qualquer hipótese- há quem diga que nem intenção -de pagar o que fizemos, como agora revelamos uma enorme dificuldade em manter esses investimentos, isto porque era a obra o fim derradeiro, uma espécie de desígnio colectivo que a todos motivava. Juntamente com isto, trabalhou-se intensamente na apresentação de uma continuada baixa taxa de desemprego, irreal e insustentável, colocando em todo o lado pessoas, sem nunca cuidar de saber se estas eram necessárias ou se possuíam sequer qualificações adequadas, para além do obrigatório cartão partidário. Para finalizar, montámos um esquema "garantista" e subvencionador, a que chamamos Estado Social, que não produzimos para sustentar, agravado por esse drama que é o da pirâmide demográfica invertida. Agora, pagamos todos, mesmo os que possuem o tal cartão partidário. E pagamos muito! De tal maneira que já não sei se não resvalámos para o "austericídio", pois começa a ser insuportável a manutenção desta situação para os contribuintes. O melhor mesmo vai ser ir ver quanto custa o tal curso mas, antes, vou certificar-me quem vai dar as aulas, não vá apanhar como professor o desmemoriado Dr. Soares…
André Barreto, Gestor