Nem mais tempo, nem mais dinheiro! Durante toda a campanha de apoio à tão necessária austeridade, esta foi uma frase várias vezes repetida pelos responsáveis do nosso governo. No entanto, quando perceberam que existia abertura para ser concedido mais tempo para o pagamento dos empréstimos europeus dos programas de ajustamento Portugal, bem como a Irlanda, apressaram-se a envidar esforços para consegui-lo. E como pedir não custa, a primeira intenção era o adiamento por quinze anos. Os grandes países, representados pela Alemanha "torceram o nariz" a tamanha ambição e foi dada luz verde para conceder o adiamento, com a ressalva que o tempo de adiamento concedido será muito menor que o inicialmente pretendido. Com efeito, existe um sentimento geral positivo em relação ao cumprimento dos programas de ajustamento e, como tal, foram colocadas algumas possibilidades em cima da mesa: uma extensão neutra das maturidades, ou seja, prolongar alguns prazos e reduzir noutros de modo a não alterar a respectiva média; um prolongamento de dois anos e meio ou um prolongamento de cinco anos. De todas as hipóteses apresentadas, a última é, obviamente, a pretendida pelo estado português. Contudo, não se afigura fácil, devido às condicionantes impostas pelo governo germânico. Em suma, os nossos governantes deixaram cair a sua confiança no programa de ajustamento em curso e decidiram, à boa maneira portuguesa, "empurrar com a barriga" o monstro da dívida. Neste momento, já estamos a pedir mais tempo e não seria de admirar se num futuro próximo pedíssemos mais dinheiro.
Pedro Nunes, Economista