O momento político atual exige serenidade. É compreensível que, face aos problemas que a Madeira atravessa, exista a tentação radicalizar posições, assumindo posturas que, tal como a postura de 36 anos do PSD Madeira, não abonam em favor de um debate que se quer sério. Vivemos tempos de enorme gravidade. De muitas incertezas. De privações, de desemprego, de insegurança. Que resposta querem os cidadãos dos políticos, face às dificuldades? Na minha opinião, querem soluções exequíveis, querem propostas concretas. Abdicam claramente da "partidarite" aguda que, tendencialmente, afecta muitos quadrantes nestas fases. Se o PSD, durante 36 anos, dividiu a Madeira entre bons, aqueles que votavam naquele partido, e maus, todos os outros, não sejamos nós, que na oposição sofremos na pele essa divisão, a fazer o mesmo agora. Tudo isto vem a propósito das moções de censura e da moção de confiança que, na minha opinião, foram apresentadas a destempo (duas) e completamente fora de contexto, a outra. No que respeita às duas moções de censura, eu sou o primeiro a subscrever a ideia de que este Governo é fortemente censurável. Mas não deixo de acrescentar que sendo a maior arma de um partido da oposição, uma moção de censura deve ter o tempo certo. No momento atual, o tempo certo é a confirmação oficial da acusação aos membros do Governo. Armas utilizadas precipitadamente, por norma resultam em danos em quem as utiliza, aumentando ainda, fortemente, a possibilidade de danos colaterais. No que respeita à moção de confiança, entendo que não faz qualquer sentido um Governo que sempre desrespeitou o Parlamento vir agora àquela casa pedir para ser (re)legitimado. Depois de Alberto João Jardim ter, em tempos recentes, intitulado a Assembleia Legislativa da Madeira de "casa de loucos", com a complacência do Sr. Presidente do Parlamento, que sentido faz, agora, vir pedir aos deputados, os membros da tal "casa de loucos", um voto de confiança? Por tudo isto, entendo que aos partidos da oposição cabe continuar a procurar soluções para os problemas dos cidadãos. E, no tempo certo, cabe censurar o Governo. Da forma dura que este Governo merece ser censurado.

Rui Barreto, Deputado do CDS na AR