Não conheço o personagem, mas são muitos os episódios que me contam e que se acumulam. Não podem ser só coincidências, nem tão pouco essa coisa de comunistas e oposicionistas – teses mal copiadas do chefe – porque algumas das histórias são contadas por gente que o acompanha há muito. Não conheço o personagem, mas conheço-lhe o pai, um ex-governante que aprendi a respeitar; entre outras coisas, porque também respeitava e sabia fazer-se respeitar. Falei duas ou três vezes com um irmão, pessoa que me pareceu dinâmica e inteligente a rentabilizar a sorte no cargo público que conseguiu. Tudo razões para não dar grande importância aos primeiros relatos que ouvi. O tempo encarregou-se de me convencer do contrário. Acho exagerado que digam que abrir a porta da viatura oficial do Presidente é o único serviço público que presta à Região que lhe paga. Gostava de defendê-lo, mas se recordar aqui os episódios que me chegam – sobretudo os relacionados com a boataria e a arte do ‘leva e traz’ – só estaria a ir no sentido contrário… A espantosa resposta de assessor, na noite de terça-feira, repetida duas vezes porque à primeira ninguém queria acreditar, leva-me a tecer alguns considerandos sobre o respeitável papel dos assessores. Primeiro que tudo, a importância e o estatuto estão integralmente no assessorado. Não no assessor. Se este der nas vistas, significa que o seu trabalho está muitíssimo mal feitinho. Se isto for difícil de perceber, pode-se fazer o paralelo com o abrir e fechar da porta do carro oficial: para que essa nobre função seja executada com o brilhantismo exigido, é preciso que o ‘abridor’ não se meta à frente nem da porta nem do figurão que sai ou entra. Senão dá barraca, não é? Um assessor tem de prevenir ou minimizar as eventuais argoladas do assessorado. Não deve nunca ampliá-las. Isso só se consegue com discrição e alguma dose de inteligência, para além de uma certa queda para as relações humanas. Faz-se, também, com pachorra para justificar o que ganha do erário público, sejam 11 da manhã ou 11 da noite, de preferência com a educação que os pais, de certeza absoluta, lhe incutiram. Como acabou de chegar, antes de se julgar o ‘Maradona dos assessores’, repare com atenção nalguns bons casos que temos por aqui. Provavelmente seria proveitoso, porque ainda é um rapaz novo. Não se deixe enganar: o ‘afonso-almeidismo’ já é de outro tempo, já deu o que tinha a dar.