Os corsários aí estão. Até agora, a maior acção de pirataria perpetrada contra a Madeira remontava a Outubro de 1566. Liderados por Pierre-Bertrand de Montluc, os corsários franceses, tendo-se juntado alguns fidalgos portugueses, desencadearam aquele que foi, até ao momento presente, o maior saque a estas ilhas. Durante aqueles 16 dias de desgraça, aos invasores quase nada terá escapado, tendo passado a fio de espada tanta gente. Contudo, a expedição de Montluc fica num plano bem mais inferior face à brutalidade dos actuais corsários que aí estão. A Troika invasora, tal como no séc. XVI, conta com os préstimos de alguns fidalgos colaboracionistas. Não só Passos Coelho e Paulo Portas, em Lisboa, mas outros pequenos fidalgos na governação regional, embarcaram naquele que é o maior roubo ao Povo e à Região. O corso atinge proporções avassaladoras. É que os actuais piratas não programaram uma invasão apenas por 16 dias. Ambicionam prolongar a exploração, o ataque ao Povo, num colossal saque aos recursos e riquezas nacionais. Os corsários de hoje intensificam insultos e roubos, continuadamente, como não há memória. Oxalá, em breve, se consiga fazer justiça aos fidalgotes degenerados de hoje, tal como, no séc. XVI, foram justiçados como traidores aqueles que terão incentivado Montluc e cooperado no saque corsário. Oxalá não tarde o dia em que as vítimas do saque de hoje exigirão que se faça Justiça.

Edgar Silva, Líder do PCP-Madeira