Há muito que digo que Jardim teria um fim pior do que aquele que ele próprio e o seu séquito consideravam. Sei que estive contra a corrente. Em regra, a opinião pública achava que Jardim marcaria a história da Madeira e ficaria como um herói desta. Afinal não será nem um herói, nem um mártir. A história registará, sem dúvida, o seu papel na condução dum processo autonómico reivindicativo e na edificação de um sistema infraestrutural descomunal (mas não o necessário e suficiente para gerar fluxos económicos e bem estar). Mas registará também o seu papel na tragédia madeirense que marcará as próximas décadas. Sublinhará o seu papel numa governação absolutamente irresponsável que desbaratou recursos financeiros elevadíssimos e que trouxe a Região para patamares de dívida pública 'irrespiráveis'. Mas registará, também, um facto maior: o facto de Jardim ter 'puxado para baixo' os níveis educacionais e culturais dos madeirenses, como é próprio dos líderes populistas. Este é talvez o aspecto ao qual dou mais relevo. A herança financeira pode consolidar-se e gerir-se em pouco tempo. Mas os desníveis culturais e educacionais levam gerações a ultrapassar. Em quase quarente anos de autonomia era de esperar que os madeirenses em geral evoluíssem e mostrassem a sua criatividade e as suas potencialidades. Mas quando se olha para a realidade destes anos não se vê realizações nos planos educacional e cultural que nos orgulhem e que afirmem a nossa identidade a níveis de excelência. Fomos, todos, 'puxados para baixo'… "São as circunstâncias que governam os homens, não os homens que governam as circunstâncias", diz o pensamento filosófico antigo. Jardim foi governado pela circunstância dos tempos de 'vacas gordas', da abundância. Continua a ser governado pelas circunstâncias dramáticas da maior crise da história moderna da Madeira. Mas sem rumo, nem autonomia, nem vontade própria, nem capacidade, nem glória. Ao sabor das circunstâncias…

Maximiano Martins - Deputado do PS-Madeira