Coisa mais séria que a saúde, não há. Vou falar dela, partindo do mosquito aedes aegypti. Tudo começou com a coceira infligida aos habitantes de Stª. Luzia. Recordam os leitores os epítetos, com que foram mimoseadas as pessoas que ousaram falar do risco que o malfadado bicho representava? Bastava referirem, quão indesejável era o mosquito, para a RAM e seus habitantes, para que pessoas de bem - como o entomologista de renome mundial, Prof. Dr. Ruben Capela - fossem contempladas, no mínimo, com o habitual: inimigos da Madeira. Era um falso problema, diziam, que, trazido para os jornais, prejudicaria o turismo. Em nome do Bem Comum, bico calado, e toca a andar! Tinha lógica combater-se o mosquito, como propunha António Sales Caldeira. O tempo passou, não se adoptou, na plenitude, aquela ideia. Anunciou-se, sim, a disponibilização de vários milhares de euros para combater o aedes aegypti, sem que tivesse surgido, como se justificava, um programa organizado que tentasse, gastando aquele dinheiro e mais algum se necessário, pelo menos, conter a praga. Pousada a poeira da propaganda política, quem armadilhou o terreno, para passar incólume ao facto de não encarar de frente o problema, vê, para mal dos seus pecados, e prejuízo de todos nós, surgir a famigerada dengue. Nunca saberemos se o combate, em algum momento, foi condicionado por falta de dinheiro. Vimos, como se depreendeu das palavras de Sales Caldeira, o GR preocupado com os gastos. Hoje temos dengue! A propaganda política pode sempre atribui-la: à maçonaria; a Lisboa; ao Islão, e, por incrível que pareça, haver quem acredite. É, por isso, que o Direito criou os inimputáveis, onde cabem as ingénuas crianças que, até no Pai Natal acreditam. O desporto, sob administração regional, teve um incremento notável. A razão do sucesso radica no volume de dinheiro que o GR lhe colocou à disposição. Tudo aquilo que era enquadrável no desporto: masculino; feminino; profissional; amador; escolar, foi, financeiramente, suportado pelo GR. Houve, calculo eu, quem imaginasse "os cubanos" a roerem-se de inveja (assim se apela ao que de mais reles têm os Homens) quando, no Porto Santo, a equipa feminina de hóquei em patins conquistou o acesso à Europa. Uma parceria de bons amigos financiou a vinda de moças, da América do Sul, para jogarem hóquei. O único jogo não apoiado foi o dos "milhinhos", cuja génese recua à Madeira Velha, onde os compadres, na venda, metendo a mão na saca do milho em grão para as galinhas, tiravam três grãos que, finda a disputa que ditaria o pagador da rodada, voltavam à saca. Os dirigentes desportivos, depois do PAEF, (des)esperam por dinheiro fresco. Houve quem, ao longo dos anos, alertasse para o excessivo volume da despesa pública no desporto. Receberam insultos e a designação: inimigos da Madeira. Tudo igualzinho ao aedes egypti, sem tirar nem pôr. O frouxo combate ao mosquito levou à dengue. Os êxitos desportivos (com outros contributos mais) deram a bancarrota. O GR, foi mãos largas para o desporto. Um mês de vencimentos do extinto IDRAM pagaria - químicos e salários - de quantos meses de combate ao aedes aegypti? Ninguém acredita num governo - pós-PAEF - sem "cheta" e que, depois das eleições de 2011, colocou em cartaz a peça de teatro "Entretém Entretém...assim convém", quando atribui, para entrega futura, verbas que não tem. Os eleitos podem contrair dívidas, cobráveis aos eleitores, para ocorrer a uma situação em que, a prossecução do Bem Comum, o justifique. Exemplo disso é o aeroporto do Funchal. Poderia também ser, o Bem Comum impunha, o financiamento de um plano, para vários anos, que custasse muito dinheiro visando a eliminação - contenção - do aedes egypti. Não, não foi nada disso que aconteceu. Contraíram-se empréstimos apenas porque, desde 1978, quem governou, confundiu dois conceitos: orçamento, com rol de intenções; Bem Comum, com ganhar eleições. Que futuro? Dou a palavra a dois cidadãos Alemães. Não os conheço, mas algo me diz que terão vivido a infância numa Alemanha subjugada a Hitler. Divergem, hoje, naquilo que pensam da RAM. Klauss Friedrich, a 13Fev.2012, no JM, enalteceu a obra que em 30 anos mudara a Madeira, e, zurziu Frau Merkel por não abrir os cordões à bolsa. A 20Fev p.p., outro Alemão, Christian Uhr, no DN, elogia o nosso povo e deixa algumas críticas aos dirigentes. Duas cabeças, duas sentenças. Porém, tendo vivido ambos a infância num País destruído e humilhado, estarão de acordo em que Adenauer só pôde surgir, após a queda do nacional-socialismo. Aí, sim, começou o futuro.

Gaudêncio Figueira