Ao ler, na passada quarta-feira, o take da Agência Lusa fiquei atónito. O grupo parlamentar do PSD/Madeira criticou violentamente a "contratação" de José Sócrates para a RTP, redigindo um voto de protesto no parlamento regional. Cumprindo orientações da Quinta Vigia, os deputados laranja crucificaram o "maligno" ex-primeiro-ministro que, para eles, colocou a Madeira no estado em que hoje se encontra. Questionaram também, no tal protesto, o papel do canal público no reaparecimento do antigo governante, recordando que a RTP "devia ser um exemplo de integridade, transparência e de verdadeiro serviço público". Os recados de Jardim através da manietada Assembleia Legislativa - a tal "casa de loucos", como recentemente a classificou - provocaram um "abalo sísmico" em Lisboa, com epicentro no Terreiro do Paço e réplicas em São Bento e na Marechal Gomes da Gosta, artéria onde se situa a RTP. Da insuspeita Madeira laranja chegou a "verdadeira" denúncia, a resposta que o governo de Passos Coelho não deu ao regresso de José Sócrates ao plano mediático nacional... A intensidade do abalo foi de tal ordem que o diretor de informação da RTP já se desfez em explicações ao presidente do governo regional. Miguel Relvas, o ministro que tutela a RTP, também já vai a caminho da ilha Dourada, detalhar a ao "representante legítimo do povo da Madeira e Porto Santo" a "contratação" do homem que tanto "mal" fez ao país e à Madeira. Ironias à parte, uma semana após ter denunciado no seu Jornal da Madeira, em parangonas de primeira página, que "o governo de Passos Coelho/CDS quer matar a Madeira", Jardim e seus muchachos arreliam-se com o palco que a RTP vai dar ao famigerado ex-primeiro-ministro. Enfim se tudo isto não fosse ridículo e inconsequente até nos faria rir um pouco. Este taticismo político primário utilizado por esse PSD/M enfraquecido e estilhaçado é caricatural e um verdadeiro embuste. Intoxicar a população disparando contra tudo o que mexe é um ato pouco nobre, que não colhe e que não frutifica. É de um ridículo desprezível. Confesso que não aprecio José Sócrates e considero-o um dos grandes responsáveis pelo estado atual em que o pais está mergulhado. No entanto reconheço-lhe liberdade para se exprimir na RTP. O atual governo e os visados pelas suas criticas que se defendam. O que é de lamentar neste episódio nada significativo do PSD/M é falta de vergonha que demonstra a vir a terreiro, quando dentro de portas alimenta, com o dinheiro do erário público, um panfleto propagandístico travestido de jornal, que veicula apenas a voz da maioria. Perante a precariedade e a pobreza a que muitas famílias da Madeira estão votadas, o governo regional isenta-se de responsabilidades, chutando-as invariavelmente para terceiros, perdendo tempo a fazer pequena política na Assembleia Legislativa. Não existem muitas palavras para classificar este estado de permanente negação. Há muito ruído mas pouca substância nestes atos contínuos de telenovela política. A ainda maioria laranja regional é pródiga na torrente de palavras, nos comícios permanentes, no ataque indiferenciado. Efetivamente não há volta a dar. A solução reside na reforma definitiva destes personagens políticos que em nada contribuem para recuperar a atual imagem da Região. * Artigo escrito segundo a nova grafia
Roberto Ferreira