Numa época de crise social e financeira profunda, continuamos a ser bombardeados com sugestões de formação, pelos mais diversos meios de propaganda, ferramentas do Estado e não só, em áreas já saturadas e com um exorbitante número de desempregados. Parece-me que é hora de deixar de parte os interesses de algumas entidades e/ou formadores que, com medo de fecharem as portas ou de voltarem ao local de origem, insistem em vender conteúdos repassados. É tempo de analisar o mercado construindo uma visão a longo prazo que dê aos interessados uma perspetiva de sucesso e não apenas um número numa lista de excedentários. A formação profissional não se constrói somente por acumulação de certificados, recheados de conhecimentos e de técnicas, mas também através de um trabalho profundo de reflexão crítica sobre as práticas que permitem a renovação da identidade pessoal do indivíduo. Antes de investir no currículo é necessário investir na pessoa, dando um estatuto ao saber adquirido pela experiência. No que concerne à formação, a lógica da procura e a lógica da oferta são dois pratos da mesma balança que deverão estar equilibrados, pois um profissional competente possui capacidades de autodesenvolvimento reflexivo sabendo identificar as suas lacunas e procurando minimizá-las através de uma formação de qualidade. Estar em formação é ainda sinónimo de investimento pessoal que se traduzirá na identidade profissional de cada um, atendendo aos percursos e projetos próprios.
Patrícia Spínola, Colaboradora da AAUMa