Joaquim A. Moura Anda por aí um sururu, levantado por alguns presidentes de câmara, que vêem esgotado o número de mandatos, que por força de Lei os inibe de continuar a "governar" outra autarquia - a Lei do alto e pára o baile. Numa tentativa de se perpetuarem à frente dos interesses públicos e pessoais, esses Edis, procuram através de artes e manhas linguísticas, escudando-se numa preposição gramatical, continuar a seu bel-prazer os destinos dos fregueses - "Depois dest´aqui, vou agora àquel´ali". No entanto, a Lei que limita tal prática, é bem clara, e só mentes perversas ou com propósitos estranhos, é que teimam em pô-la em causa. Mas então, que faz com que os presidentes de câmara andem tão preocupados e brandam com a Justiça, exibam prepotência, criem tanta polémica, se eles, vão-se manter ligados aos paços de Concelho onde cessam funções, e amealharam durante os anos que estiveram à frente desses ricos destinos, sorte e fortuna, através do seu delfim e sucessor, que atempadamente soube propor à direcção do partido que o há-de eleger? A sua influência manter-se-á em exercício mesmo após virar as costas à cadeira do Município de onde saiu, uma vez que soube indicar quem o devia substituir. Eleito o seu "afilhado", este terá a obrigação pactuada, de não esquecer o autor que lhe passou o testemunho, o favor recebido, e é garante, de que não romperá com os vínculos lucrativos que o seu "padrinho" estabeleceu durante os mandatos cumpridos, com todos os que intervieram nas negociatas, diversas acções, tais como, adjudicações de obras, empreitadas, criação de emprego, até fictício, com destinatário filiado na cor ou de saias, e por isso vão continuar a tirar proveito, mesmo retirados. Um ex-presidente de câmara, nunca mais perderá as benesses conquistadas. Ele nunca se despede na verdade, completamente. Quando muito ele diz:- " até logo. Vou visitar uns amigos, e logo após dar a volta por eles todos, passo por cá a saber dos "favores"! Ele vai embora, mas fica a história dos contratos concedidos, por entre concursos viciados, sob o pressuposto de recolher a colecta acordada, por detrás do biombo, no exercício da sinecura. Atente-se, para que se perceba melhor de que são feitos tais "lutadores" pela causa e coisa pública, no número de autarcas e de ex. que foram condenados ou levados a tribunal por gestão ou suspeita de gestão criminosa, e com actual influência nos Municípios. São mais do que as mães, ou do que se pretende num Estado de Direito.