Aquando da aprovação do OE 2013, alertei para os variados riscos orçamentais e erros que este orçamento incorria. Desde a desproporcionalidade na aplicação dos sacrifícios, ao desrespeito pelo memorando no que toca a consolidação orçamental que deveria ser de dois terços no lado da despesa e um terço no lado da receita, passando pelas metas irreais do deficit, da contração do PIB e previsões do desemprego. Passados três meses e após a 7ª avaliação regular pela troika, as metas já foram todas revistas negativamente, o PIB será -2,3%, o desemprego agravar-se-á para 18,2% e o défice de 5,5% o que deita por terra as previsões deste orçamento. O Boletim de Primavera do Banco de Portugal refere que a procura interna recuará ainda mais do que o previsto, provando que o "corpo cansado" de impostos não produz mais receitas e tem um efeito perverso sobre a economia.

O erro foi este Governo ter deixado "fugir" o PS , principal responsável pelo estado a que chegamos, e que deveria ter sido chamado desde o início para o trabalho patriótico de recuperar o País do estado deplorável a que chegou.

O Governo da República preferiu o caminho do bom aluno e foi mais além da troika. Erro de palmatória. Por força da deriva "impostista" está hoje em suspenso pela decisão do Tribunal Constitucional, caso o TC declare inconstitucionais algumas normas do OE2013. O PS, num impulso populista, apresenta uma moção de censura ao mesmo tempo que escreve à troika a dizer que respeitará "ipsis verbis" o memorando que negociou. Afinal que proposta credível e que outro caminho apresenta aos Portugueses? Entretanto José Sócrates, uma espécie de Berlusconi à Portuguesa, regressa para fazer um ajuste de contas com o passado, quando é o "seu" passado que hoje pesa sobre a triste narrativa dos Portugueses... Precisamos hoje mais do que nunca de narrativas de verdade.

Rui Barreto - Deputado do CDS na Assembleia da República