J. G. A Páscoa judaica celebra a libertação do povo israelita da escravidão no Egipto. Foi lhes prometido uma terra onde mana "leite e mel" mas, por terem irado Deus, foram condenados a deambular pelo deserto até que não restasse um único membro dessa geração pecadora - até a Moisés foi apenas permitido vislumbrar a Terra Prometida do cimo de uma montanha. E foi por essa razão que os israelitas passaram 40 anos no deserto, até que finalmente apenas seus filhos puderam conhecer a Terra Prometida. Está na altura do PSD-M começar a sua longa travessia do deserto. À medida que Jardim vai dando sinais de fraqueza crescente, uma longa lista de delfins - passados, presentes e futuros - vão se atropelando para melhor se posicionar para assumir a liderança do PSD-M. Alguns deles até ficaram grisalhos de tanto esperar; todos partilham o mesmo currículo: começaram na JSD-M, passaram por cargos de direção em empresas públicas, brincaram aos autarcas e deputados; e, ao longo dos anos, enquanto esperavam a sua vez, fartaram-se de escrever artigos de opinião no JN a defender o seu líder e as suas políticas. São, e sempre foram, todos "boys" e "yes-men" de Jardim, mas agora que o seu líder está ferido de morte alguns desses "boys" enchem o peito e levantam a voz para denunciar o seu regime. Os mesmos "boys" que ao longo de 30 anos não foram capazes de criticar uma única decisão do "Grande Líder" agora assumem-se como uma alternativa viável à sua liderança? Não obrigado! Não obrigado Albuquerques, Calados, Rubinas e companhia. Essa vossa "coragem" de última hora já vem tarde de mais. Não apaga da memória os anos de Chão da Lagoa, de clientelas partidárias e de "elefantes brancos". Foram cúmplices na pilhagem da Madeira; agora, tenham ao menos a hombridade de tomarem o vosso lugar ao lado daquele que foi sempre o vosso "Grande Líder" quando ele e o seu PSD-M começar a sua longa travessia do deserto.